terça-feira, 14 de outubro de 2008


RAVENALAS poemas (2004-2008) de Horácio Costa




Horácio Costa (São Paulo-SP, 14/12/54). Formado em Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP, 1978); Mestre em Letras (New York University, 1983), PhD em Yale (1994). Professor na UNAM (México), 1987-2001. Desde então, é professor da FFLCH-USP. Publicou 28 poemas 6 contos (São Paulo, 1981); Satori (São Paulo, 89; atualmente sendo traduzido ao espanhol), O livro dos Fracta (México e São Paulo, 90), The very short stories (São Paulo, 91; México, 95), O menino e o travesseiro (São Paulo, 93; re-edição 03; México, 98); Los jardines y los poetas (Caracas, 94), Quadragésimo (México, 96 e São Paulo, 99) e Fracta — antologia poética (São Paulo, 04). Livro de poesia por publicar: Ciclópico Olho . Traduziu e publicou Octavio Paz (Piedra de Sol/Pedra de Sol, Rio, 88), Elizabeth Bishop (Antologia Poética, São Paulo, 90), César Vallejo (Poemas Humanos; México, Rio e Lisboa, 92), Xavier Villaurrutia (Nocturnos; Lisboa, 94); por publicarem-se Xavier Villaurrutia (Poesia Completa, São Paulo) e Blanca Varela (Canto Vilão, São Paulo). Organizou dois eventos internacionais de poesia: "A palavra poética na América Latina, avaliação de uma geração" (São Paulo, Memorial da América Latina, 90; publicada em livro) e "O veículo da poesia" (São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, 98). Outros livros: José Saramago: o período formativo (Lisboa, 97 e México, 03) e Mar abierto: ensayos sobre literatura brasileña, portuguesa e hispanoamericana (México, 01). Tem poemas ou livros traduzidos ao espanhol, inglês, francês, romeno, macedônio e búlgaro. Fui presidente da ABEH — Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.

Lançamento do Selo Demônio Negro

PROBLEMAS DE GÊNERO


PROBLEMAS DE GÊNERO de Judith Butler

COLEÇÃO: SUJEITO E HISTORIA
240 págs.

Parte da coleção Sujeito e História, PROBLEMAS DE GÊNERO, de Judith Butler, é um dos mais importantes e influentes estudos sobre gênero já escritos. Um verdadeiro clássico do feminismo, o livro foi produzido a partir da vida cultural de um grupo que teve, e continua tendo, algum sucesso lutando pela melhoria da qualidade de vida daqueles que vivem uma opção sexual à margem da sociedade, segundo a autora.

Em um ataque declarado à essência da teoria do feminismo francês e suas bases antropológicas, a autora questiona as distinções feministas tradicionais de sexo e gênero, argumentando que os conceitos básicos destes discursos são eles mesmos produzidos por relações de poder. A pesquisadora investiga as origens da identidade do gênero para assim revelar seus parâmetros políticos.

Segundo o psicanalista Joel Birman, o percurso crítico de Butler é uma indagação sistemática sobre a construção dos gêneros e das identidades, centrada em duas instâncias cruciais: o falocentrismo e a heterossexualidade compulsória.

Mesmo tendo na filosofia o ponto de partida de seu itinerário polêmico, a pesquisa de Butler se desdobra numa proposta de questionar as fronteiras e as soberanias das disciplinas, já que a identidade é precisamente o seu principal alvo. PROBLEMAS DE GÊNERO é um livro brilhante e inovador - indispensável para a teoria feminista.

Judith Butler vai de encontro com a concepção de gênero no século XIX a natureza biológica do corpo é o elemento que define tudo. O conceito de sexualidade está comprometido desde o seu surgimento do essencialismo, com uma forma machista de ver o mundo. A pós-estruturalista, Butler, afirmará que a dicotomia heterossexual “é tão falsa e vazia de essência quanto a homossexual, pois não deixa de ser imitação de um ideal de masculinidade ou feminilidade, muitas vezes inatingível, que não possui correspondência alguma com uma suposta essência ou natureza, algo que estaria inscrito na nossa mente e no nosso corpo.”


Um livro da Civilização Brasileira

domingo, 12 de outubro de 2008

HISTÓRIAS DE UMA CIDADE




HISTÓRIAS DE UMA CIDADE
de Armistead Maupin
páginas - 480








OUTRAS HISTÓRIAS DE UMA CIDADE
de Armistead Maupin
Páginas - 464











NOVAS HISTÓRIAS DE UMA CIDADE
de Armistead Maupin
Páginas : 432
















Armistead Maupin e seu companheiro Christopher Turner em 2006 no Festival Sundance de Cinema.








Armistead Maupin (13 de Maio de 1944) é um escritor norte-americano, reconhecido pela sua série de livros Histórias de São Francisco (Tales of the City).





Armistead Maupin nasceu em Washington, DC, em 1944, mas cresceu em Raleigh, Carolina do Norte. Graduou-se pela Universidade da Carolina do Norte, e serviu como um oficial de marinha na região do Mediterrâneo e em Força Patrulha no Vietnã.

Maupin trabalhou puco tempo como um repórter de um jornal em Charleston, Carolina do Sul, antes de lhes serem atribuídas funções em San Francisco pela Associated Press em 1971. O clima de liberdade e de tolerância que encontrou em sua cidade levou-o a declarar-se publicamente como homossexual em 1974. Dois anos mais tarde, ele lançou o seu "Contos da Cidade" seriado no San Francisco Chronicle.

Maupin é autor de nove romances, incluindo os seis volumes da série Tales of the City, Maybe the Moon , The Night Listener e, mais recentemente, Michael Tolliver Lives. Três miniseries estreladas por Olympia Dukakis e Laura Linney foram realizadas a partir dos primeiros três romances na série Tales. The Night Listener transformou-se em um longa metragem estrelado Robin Williams e Toni Collette.

Maupin vive em San Francisco com seu marido, Christopher Turner.

Será que Hollywood derruba preconceitos com personagens homossexuais?


Foram-se os dias em que o galã Rock Hudson tinha que esconder sua homossexualidade para continuar trabalhando em Hollywood, uma indústria que tende cada vez mais a derrubar preconceitos e normalizar a situação dos gays?

Em um panorama como o atual, onde personalidades como a apresentadora Ellen Degeneres, a atriz Lindsay Lohan, o ator George Takei ou o músico Clay Aiken dominam as primeiras páginas dos jornais por causa de sua orientação sexual, a indústria do entretenimento decidiu dar um passo à frente.

A televisão americana incluirá nesta temporada 16 personagens gays e bissexuais de importância em séries na faixa de maior audiência de programação, mais que o dobro do ano passado, segundo um estudo do grupo Gays e Lésbicas contra a Difamação (GLAAD, em inglês).

Neil Giuliano, presidente do GLAAD, ficou feliz com o fato de a rede de televisão "FOX" incluir este ano cinco personagens com essa orientação em seus programas, já que em 2007 não havia nenhum.

No entanto, lamentou que nenhum dos 126 personagens principais das séries da "CBS" seja gay, lésbica, bissexual ou transexual, enquanto um único personagem "recorrente", Brad, em "Rules of Engagement", é gay.

É por isso que há quem sustente que ainda existe muito caminho a percorrer.

"Cada pessoa que sai do armário é uma barreira a menos", disse à edição digital do canal "CNN" o publicitário Howard Bragman, autor do livro "Where's My Fifteen Minutes?", que trata do assunto.

Bragman, homossexual assumido, admite que hoje em dia o público é capaz de aceitar os gays de forma "mais singela", embora não "automática".

"Eu o vejo como um processo a longo prazo. A revolução terminou, agora se trata de evoluir", disse.

O publicitário se encarregou de ajudar Dick Sargent quando este revelou sua homossexualidade, em 1989, e lembra os momentos nos quais era complicado terminar filmes como "Filadélfia" (1993), pelo qual Tom Hanks ganhou o Oscar de melhor ator por interpretar o advogado gay Andrew Beckett.

Possivelmente, este deve ser o grande desafio que Hollywood ainda tem pela frente, como afirmou o ator gay Rupert Everett, popular por seu papel em "O Casamento do Meu Melhor Amigo" (1997).

"Não tenho nada do que me queixar, exceto do fato de as pessoas se perguntarem se um gay como eu pode atuar como um sapatão para dar vida a um homem heterossexual", disse.

Já Peter Sprigg, vice-presidente do grupo conservador Family Research Council, afirma que os novos personagens homossexuais na programação americana têm "propósitos propagandísticos".

"Estou convencido de que a maior parte destes personagens está aí para tentar fazer com que as pessoas aceitem a conduta homossexual", disse Sprigg ao site da "CNN".

"Nesse sentido, o resultado para a sociedade é negativo", disse ele.

Para Bryan Batt, o ator gay que acaba de assumir sua homossexualidade e que dá vida a Salvatore Romano, na série premiada com o Emmy "Mad Men", ainda há na sociedade "um pouco de homofobia".

"Mas penso que graças a papéis gays bons, honestos e positivos, será possível educar (as pessoas)", comentou.

"Acho que estamos produzindo gerações de jovens que não julgam as pessoas, nem por sua raça, nem por sua religião nem por sua sexualidade", concluiu.



Caçadores Noturnos


Caçadores Noturnos

de Felipe Greco

144 páginas

Editora Desatino

Para resgatar uma antiga dívida com o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, em Caçadores Noturnos, Felipe Greco (também gaúcho) reúne contos sobre o lado underground das noitadas paulistanas. Com maestria, esse jovem autor capta e, como um voyeur, invade o lado obscuro de personagens — ora em primeira, ora em terceira e até mesmo em segunda pessoa. Masculino e feminino se mesclam para dar esse mergulho nas profundezas das madrugadas insones. Álcool, drogas, boleros, um ambiente aparentemente sem saídas, porém onde borbulha o mais agudo da noite, os desejos mais secretos dos vultos (personagens/leitores) que vagam por aí, nas praças, nas esquinas, no asfalto ainda quente do dia, na solidão, cheios de tesão e fúria.

Para o diretor de teatro Ulysses Cruz:

"As histórias deste livro fazem parte de um universo marginal, quase proibido e, por isso mesmo, excitante.

"Putas, michês, traficantes, bichas, travestis, policiais, ninfomaníacas, tarados, enrustidos, esposas entediadas, solitários de toda espécie habitam estas páginas milimetricamente equacionadas em diálogos curtos e surpreendentes momentos.

"Felipe Greco escreve potencialmente estimulado por Eros e Tânatos, além de nos remeter à tradição sempre renovada das histórias em quadrinhos e dos livros e revistas para insones erotizados. O autor tem a coragem e a sordidez desenfreada do pó, do álcool, das contravenções, da noite em seus personagens de Luz e Sombra.

"Felipe Greco, neste seu livro de estréia, lê-se como a um Nelson Rodrigues reinventado. Mais trash. Mais acessível. Mais popular. Aliás, como deve ser um autor nestes tempos de novo século."

O autor:

Felipe Greco nasceu em junho de 1967, sob o signo de câncer. É gaúcho de Uruguaiana, RS, mas desde 1985 reside em São Paulo. Tem dois roteiros filmados: Atração Satânica (1987) e The ritual of death (1990). Em outubro de 1991, venceu o concurso literário promovido pela Fiat do Brasil, com o conto Anjo provisório. Em maio de 2003, publicou o livro O coveiro, uma fábula marginal (Desatino).

sábado, 11 de outubro de 2008




AS HORAS

de Michael Cunningham


Páginas - 184

Cia das Letras

As horas, prêmio Pulitzer de literatura de 1999, pode ser definido como a saga da consciência de três mulheres - uma real, duas fictícias - em busca de algum tipo de inserção no mundo "normal", tendo como pano de fundo constante a presença palpável e inquietante da loucura e da morte.

A personagem real, espécie de matriz iluminadora de todo o livro, é Virginia Woolf, cujo suicídio, em 1941, é narrado de forma comovente e realista logo nas primeiras páginas. Ela, mais Laura Brown, uma dona de casa angustiada num subúrbio de Los Angeles, em 1949, e Clarissa Vaughn, editora de sucesso na Manhattan de hoje, são as protagonistas deste livro apaixonante. Presenciamos, em capítulos alternados, um dia na vida de cada uma delas. O talento de Cunningham consegue encapsular todo o drama de suas existências. Virginia, num dia normal e suburbano de 1923, esforça-se por manter sob controle os sintomas da loucura e para redigir Mrs. Dalloway, romance que mantém com As horas uma habilidosa simbiose. Laura busca, em vão, ajustar-se ao seu triplo papel de mãe, esposa e dona de casa, confeccionando, ao lado do filho Ritchie, de três anos, um bolo de aniversário para o marido Dan. Acontece que tudo o que Laura mais deseja na vida é solidão e a companhia de Virginia Woolf, sob a forma de seu romance Mrs. Dalloway, que ela lê apaixonadamente. Clarissa, cinqüentona e ex-hippie ainda atraente, bem casada com uma produtora de tevê, compra flores e organiza uma festa em homenagem a Richard, amigo gay e aidético terminal que acaba de ganhar um prêmio literário.

O cruzamento surpreendente dessas três histórias, urdido com a mão imaginativa e experiente de Michael Cunningham, vai mergulhar o leitor numa das experiências mais comoventes da literatura contemporânea.

Excelente insight, se tomarmos como base a obra que o originou, Mrs Dalloway de Virginia Woolf.

Michael Cunningham
Nascido em Cincinnati, Ohio, cresceu na Califórnia. Estudou na Universidade de Stanford e atualmente mora em Nova York. Seu romance As horas ganhou os prêmios Pulitzer, PEN/Faulkner e foi indicado para o National Book Critics Circle Award.


Enquanto a Inglaterra Dorme de David Leavitt Editora: ARX

A história se passa na Europa da década de 30, quando o fascismo começa a tomar forma. É nesse contexto que o narrador, Brian Bosford, um jovem escritor pertencente à aristocracia britânica, conta como iniciou um romance tumultuado com Edward Phelan, um funcionário do metrô de Londres, de classe social mais baixa, sensível, idealista e comunista. Eles vão morar juntos, e quando Edward escobre que Brian também mantém um relacionamento com uma mulher - por não saber bem como lidar com sua própria sexualidade, por achar que sua homossexualidade era algo temporário -, o que poderia levá-lo até mesmo a se casar, ele se alista, voluntariamente, para lutar contra as forças de Franco na Espanha. Movido pela culpa, Brian sai em busca do amante para resgatá-lo, em meio ao caos e à violência da guerra.

A partir daí, o romance — até então uma crónica sutil sobre os jovens intelectuais fascinados pela esquerda e pelo dandismo — converte-se num admirável afresco sobre um dos períodos mais cruciais da nossa história.

Enquanto a Inglaterra Dorme, como disse o Publishers Weekly, é um melodrama no melhor sentido da palavra, sutil e maravilhosamente escrito.

David Leavitt é autor de vários romances e livros de contos. Foi recentemente indicado ao Literary Lion pela New York Public Library. Divide o seu tempo entre Toscâna e a Florida, em cuja universidade leciona.