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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

HOMOEROTISMO & IMAGEM NO BRASIL


HOMOEROTISMO & IMAGEM NO BRASIL
de Wilton Garcia


" A imagem expressiva, quando posta sob perspectiva homoerótica no campo da arte e da comunicação, provoca a emergência de discussões acerca das minorias sexuais no Brasil. Ao imbricar homoerotismo & imagem encontro-me diante de uma complexidade conceitual que comporta a noção do contemporâneo. Sob este ponto de vista. articula-se a produção de um saber, experimentado no procedimento teórico para a construção de conceito de homoarte. Este estudo é uma (inter)mediação entre minha experiência artística e homoerótica."


O AUTOR -
Wilton Garcia é artista visual e doutor em Comunicação e estética do Audiovisual pela ECA/USP. Pós doutorado em Multimeios (IA/UNICAMP). É autor também de Introdução ao Cinema intertextual de Peter Greenaway (annablume, 2000) e A Forma Estranha - ensaio de homoerotismo e cultura (Pulsar edições, 2000).


Este livro é um lançamento da
Nojosa Edições com FAPESP

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Branding, Escarificação e outros quetais




Matter of Trust: Sache Des Vertrauens de Claire Garoutte (texto e fotos)

capa dura
180 páginas
editora Konkursbuch

Este livro em edição bilingue (alemão/inglês) é a documentação em fotografia e texto das intervenções durante oito anos de uma familia lésbica e adepta ao sadomasoquismo e que abre espaço às modificações corpóreas.O que vamos ver não são simples colocações de piercing e sim algo que vai muito além. Sem querer fazer juizo de valor, pois Claire Garoutte já se revelou uma ótima fotógrafa, o livro para os que não são adeptos não é dos mais agradáveis.




Muito embora estes registros busquem apresentar esses rituais de extrema intimidade e busque refletir sobre a estrutura das relações inter-pessoais, o livro é cru. Para entender melhor -

Branding - O branding se caracteriza pelo aquecimento de pequenas placas de metal com um maçarico depois usadas para fazer os desenhos.

Escarificação - A técnica é feita com um bisturi. Em vez de calor, usa-se a lâmina do instrumento para se fazer cortes, que formam o desenho na pele.

Escarificação é como se fosse uma tatuagem, porém em vez de se injetar tinta na pele o desenho é feito a partir de cortes com um bisturi. Essa técnica originou-se na África, onde tatuagens convencionais, tribais não eram usadas pois na pele negra não apareciam, passando assim a se utilizar a tecnica das cicatrizes.
Se isso ainda é pouco, note que a coroa da garota fotografada é de agulhas de injeção. Leia aqui um depoimento de um adepto dessas técnicas - "Estas artes decorativas se originaram na África... Quanto mais volumosas ficam as cicatrizes, mais lindos ficam os trabalhos. Então, pessoas arrancam a casca da ferida e passam vinagre ou cinza para que os cortes infeccionem e cicatrizem com volume”. Pano rápido!
Eduardo Cruz

terça-feira, 14 de outubro de 2008


ARTE Y CUESTIONES DE GÉNERO

de Juan Vicente Aliaga


Editorial Nerea, SA


Língua: castelhano


Lançamento: 2004


120 páginas




Um dos livros sobre o tema que considero um dos mais equilibrados dos ultimos tempos. Equlibrado seria a palavra certa? Sei Lá. Só sei que é (deus nos livre) redondinho e palatável.



Este Arte Hoy é básico, resumão mas suficientemente independente.



Vamos a ver



Até hoje, na Espanha, na história "inconfortável" dos estudos de arte, em alguns círculos falava-se das questões de gênero, ou seja, os valores em torno de masculinidade e feminilidade. Este breve ensaio trata de propor uma série de leituras acerca de distintas manifestações artísticas, surgidas durante o tal siglo XX (Cambalache), que não se pode entender sem uma perspectiva transversal que tenha em conta os símbolos, signos e significações que a sociedade imprimiu às representações da sexualidade e atribuidas a homens e mulheres. Este breve ensaio visa propor através de uma série de palestras sobre artes das mais diversas formas, que surgiram ao longo do século XX, e que tudo não pode ser entendido sem uma perspectiva que leva em conta símbolos, sinais e significados já incutidos pela sociedade .



Todo este conjunto de razões desenham um perfil mutável e heterodoxo dos sexos e tambem das resistencias que se apresentam - a de manter a divisoria da feminidade e da masculinidade como polos embasados na suposta verdade da natureza.



Esta é a batalha dos valores de gênero não resolvidos pela arte, e que são um terreno fértil para representar a continuidade deste saudável conflito.

Eduardo Cruz

QUEER THEORY




QUEER THEORY
And Introcuction
de Annamarie Jagose


156 páginas

NEW YORK UNIVERSITY PRESS


Teoria queer é um campo do estudo de Gneros. Fortemente influenciada pela obra de Michel Foucault, a teoria queer constrói desafios para a idéia de que sexo é parte do essencial e mediante dos estudos próprios da comunidade gay / lésbica. Considerando gay / lésbica os estudos centrados nas suas investigações "naturais" e "não naturais " de comportamento em relação ao comportamento homossexual, a teoria queer quer sem trocadilho expandir seu foco para abranger qualquer tipo de atividade sexual ou identidade que se enquadra no âmbito de normativos e (sic) desviantes categorias.

Annamarie Jagose (nascido em Ashburton, Nova Zelândia, 1965) é uma escritora acadêmica e obras de ficção. Ela ganhou o seu doutorado (Victoria University of Wellington), em 1992, e trabalhou como docente de Inglês na Universidade Melbourne antes de regressar a Nova Zelândia em 2003, onde está atualmente como Professora Associada do Departamento de Cinema, Televisão e Mídia da Universidade de Auckland.

Enquanto estava na Universidade Melbourne, Jagose promoveu uma série de aulas de comportamento a respeito de cultura do corpo, incluindo obesidade e gravidez.

Prêmios

* 1994 won NZSA Best First Book Award for In Translation 1994
* 2004 won Deutz Medal for Fiction in the Montana New Zealand Book Awards for Slow Water Deutz 2004
* 2004 winner of the Vance Palmer Prize for Fiction for Slow Water 2004
* 2004 was shortlisted for the Australian Miles Franklin Literary Award for Slow Water 2004

Obras

* Lesbian Utopics (1994)
* In Translation (1994)
* Queer Theory (1996)
* Lulu: A Romance (1998)
* Slow Water (2003)

PROBLEMAS DE GÊNERO


PROBLEMAS DE GÊNERO de Judith Butler

COLEÇÃO: SUJEITO E HISTORIA
240 págs.

Parte da coleção Sujeito e História, PROBLEMAS DE GÊNERO, de Judith Butler, é um dos mais importantes e influentes estudos sobre gênero já escritos. Um verdadeiro clássico do feminismo, o livro foi produzido a partir da vida cultural de um grupo que teve, e continua tendo, algum sucesso lutando pela melhoria da qualidade de vida daqueles que vivem uma opção sexual à margem da sociedade, segundo a autora.

Em um ataque declarado à essência da teoria do feminismo francês e suas bases antropológicas, a autora questiona as distinções feministas tradicionais de sexo e gênero, argumentando que os conceitos básicos destes discursos são eles mesmos produzidos por relações de poder. A pesquisadora investiga as origens da identidade do gênero para assim revelar seus parâmetros políticos.

Segundo o psicanalista Joel Birman, o percurso crítico de Butler é uma indagação sistemática sobre a construção dos gêneros e das identidades, centrada em duas instâncias cruciais: o falocentrismo e a heterossexualidade compulsória.

Mesmo tendo na filosofia o ponto de partida de seu itinerário polêmico, a pesquisa de Butler se desdobra numa proposta de questionar as fronteiras e as soberanias das disciplinas, já que a identidade é precisamente o seu principal alvo. PROBLEMAS DE GÊNERO é um livro brilhante e inovador - indispensável para a teoria feminista.

Judith Butler vai de encontro com a concepção de gênero no século XIX a natureza biológica do corpo é o elemento que define tudo. O conceito de sexualidade está comprometido desde o seu surgimento do essencialismo, com uma forma machista de ver o mundo. A pós-estruturalista, Butler, afirmará que a dicotomia heterossexual “é tão falsa e vazia de essência quanto a homossexual, pois não deixa de ser imitação de um ideal de masculinidade ou feminilidade, muitas vezes inatingível, que não possui correspondência alguma com uma suposta essência ou natureza, algo que estaria inscrito na nossa mente e no nosso corpo.”


Um livro da Civilização Brasileira

domingo, 12 de outubro de 2008

HISTÓRIAS DE UMA CIDADE




HISTÓRIAS DE UMA CIDADE
de Armistead Maupin
páginas - 480








OUTRAS HISTÓRIAS DE UMA CIDADE
de Armistead Maupin
Páginas - 464











NOVAS HISTÓRIAS DE UMA CIDADE
de Armistead Maupin
Páginas : 432
















Armistead Maupin e seu companheiro Christopher Turner em 2006 no Festival Sundance de Cinema.








Armistead Maupin (13 de Maio de 1944) é um escritor norte-americano, reconhecido pela sua série de livros Histórias de São Francisco (Tales of the City).





Armistead Maupin nasceu em Washington, DC, em 1944, mas cresceu em Raleigh, Carolina do Norte. Graduou-se pela Universidade da Carolina do Norte, e serviu como um oficial de marinha na região do Mediterrâneo e em Força Patrulha no Vietnã.

Maupin trabalhou puco tempo como um repórter de um jornal em Charleston, Carolina do Sul, antes de lhes serem atribuídas funções em San Francisco pela Associated Press em 1971. O clima de liberdade e de tolerância que encontrou em sua cidade levou-o a declarar-se publicamente como homossexual em 1974. Dois anos mais tarde, ele lançou o seu "Contos da Cidade" seriado no San Francisco Chronicle.

Maupin é autor de nove romances, incluindo os seis volumes da série Tales of the City, Maybe the Moon , The Night Listener e, mais recentemente, Michael Tolliver Lives. Três miniseries estreladas por Olympia Dukakis e Laura Linney foram realizadas a partir dos primeiros três romances na série Tales. The Night Listener transformou-se em um longa metragem estrelado Robin Williams e Toni Collette.

Maupin vive em San Francisco com seu marido, Christopher Turner.

Caçadores Noturnos


Caçadores Noturnos

de Felipe Greco

144 páginas

Editora Desatino

Para resgatar uma antiga dívida com o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, em Caçadores Noturnos, Felipe Greco (também gaúcho) reúne contos sobre o lado underground das noitadas paulistanas. Com maestria, esse jovem autor capta e, como um voyeur, invade o lado obscuro de personagens — ora em primeira, ora em terceira e até mesmo em segunda pessoa. Masculino e feminino se mesclam para dar esse mergulho nas profundezas das madrugadas insones. Álcool, drogas, boleros, um ambiente aparentemente sem saídas, porém onde borbulha o mais agudo da noite, os desejos mais secretos dos vultos (personagens/leitores) que vagam por aí, nas praças, nas esquinas, no asfalto ainda quente do dia, na solidão, cheios de tesão e fúria.

Para o diretor de teatro Ulysses Cruz:

"As histórias deste livro fazem parte de um universo marginal, quase proibido e, por isso mesmo, excitante.

"Putas, michês, traficantes, bichas, travestis, policiais, ninfomaníacas, tarados, enrustidos, esposas entediadas, solitários de toda espécie habitam estas páginas milimetricamente equacionadas em diálogos curtos e surpreendentes momentos.

"Felipe Greco escreve potencialmente estimulado por Eros e Tânatos, além de nos remeter à tradição sempre renovada das histórias em quadrinhos e dos livros e revistas para insones erotizados. O autor tem a coragem e a sordidez desenfreada do pó, do álcool, das contravenções, da noite em seus personagens de Luz e Sombra.

"Felipe Greco, neste seu livro de estréia, lê-se como a um Nelson Rodrigues reinventado. Mais trash. Mais acessível. Mais popular. Aliás, como deve ser um autor nestes tempos de novo século."

O autor:

Felipe Greco nasceu em junho de 1967, sob o signo de câncer. É gaúcho de Uruguaiana, RS, mas desde 1985 reside em São Paulo. Tem dois roteiros filmados: Atração Satânica (1987) e The ritual of death (1990). Em outubro de 1991, venceu o concurso literário promovido pela Fiat do Brasil, com o conto Anjo provisório. Em maio de 2003, publicou o livro O coveiro, uma fábula marginal (Desatino).

sábado, 11 de outubro de 2008




AS HORAS

de Michael Cunningham


Páginas - 184

Cia das Letras

As horas, prêmio Pulitzer de literatura de 1999, pode ser definido como a saga da consciência de três mulheres - uma real, duas fictícias - em busca de algum tipo de inserção no mundo "normal", tendo como pano de fundo constante a presença palpável e inquietante da loucura e da morte.

A personagem real, espécie de matriz iluminadora de todo o livro, é Virginia Woolf, cujo suicídio, em 1941, é narrado de forma comovente e realista logo nas primeiras páginas. Ela, mais Laura Brown, uma dona de casa angustiada num subúrbio de Los Angeles, em 1949, e Clarissa Vaughn, editora de sucesso na Manhattan de hoje, são as protagonistas deste livro apaixonante. Presenciamos, em capítulos alternados, um dia na vida de cada uma delas. O talento de Cunningham consegue encapsular todo o drama de suas existências. Virginia, num dia normal e suburbano de 1923, esforça-se por manter sob controle os sintomas da loucura e para redigir Mrs. Dalloway, romance que mantém com As horas uma habilidosa simbiose. Laura busca, em vão, ajustar-se ao seu triplo papel de mãe, esposa e dona de casa, confeccionando, ao lado do filho Ritchie, de três anos, um bolo de aniversário para o marido Dan. Acontece que tudo o que Laura mais deseja na vida é solidão e a companhia de Virginia Woolf, sob a forma de seu romance Mrs. Dalloway, que ela lê apaixonadamente. Clarissa, cinqüentona e ex-hippie ainda atraente, bem casada com uma produtora de tevê, compra flores e organiza uma festa em homenagem a Richard, amigo gay e aidético terminal que acaba de ganhar um prêmio literário.

O cruzamento surpreendente dessas três histórias, urdido com a mão imaginativa e experiente de Michael Cunningham, vai mergulhar o leitor numa das experiências mais comoventes da literatura contemporânea.

Excelente insight, se tomarmos como base a obra que o originou, Mrs Dalloway de Virginia Woolf.

Michael Cunningham
Nascido em Cincinnati, Ohio, cresceu na Califórnia. Estudou na Universidade de Stanford e atualmente mora em Nova York. Seu romance As horas ganhou os prêmios Pulitzer, PEN/Faulkner e foi indicado para o National Book Critics Circle Award.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um corpo estranho



Um corpo estranho -
Ensaios sobre sexualidade e teoria queer


de Guacira Lopes Louro

Páginas- 96


Queer é estranho, raro, esquisito. Queer é, também, o sujeito da sexualidade desviante – homossexuais, bissexuais, transexuais, travestis, drags. É o excêntrico que não deseja ser “integrado” e muito menos “tolerado”. Queer é um jeito de pensar e de ser que não aspira o centro nem o quer como referência; um jeito de pensar e de ser que desafia as normas regulatórias da sociedade, que assume o desconforto da ambigüidade, do “entre lugares”, do indecidível. Queer é um corpo estranho que incomoda, perturba, provoca e fascina.


UM LANÇAMENTO
EDITORA AUTENTICA

Gay Living


Gay Living de Gianni Basso

Edizioni Gribaudo maio 2007

Uma viagem intoxicante aos mais magnificos ou terríveis designs internos. A decoração do universo gay através de 20 casas de gays na Europa. O autor busca descobrir se, para além dos estereótipos de cortinas e assim por diante, não existe verdadeiramente um estilo de vida especificamente gay.



Desde um ídolo de Krishna de um condomínio de um fã de futebol holandês para o kitsch repleto de flores em um paraíso de Berlim. Poderemos ver um impressionante aglomerado de pichações, deuses de gesso e uma profusão de gatos, cães em uma verdadeira cornucópia de rococós ,brocados que contrastam com ambientes cleans. Um redemoinho de criatividade, uma revolta em grande estilo. Todos esses impulsos interiores cheios de personalidade, humor e fofocas, e que são, na verdade, a multiplicidade dos gostos no universo gay.

E.C.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mãe sempre sabe?


Mãe sempre sabe?
de Edith Modesto
Coleção - CONTRALUZ


Editora RECORD




Edith Modesto é escritora, professora universitária e pesquisadora, mestra e doutora em Semiótica francesa pela USP e escritora de ficção juvenil e de livros para adultos sobre homossexualidade.

Em 1992, descobriu que o caçula de seus sete filhos (seis homens e uma mulher) é homossexual. Desesperada, sentindo-se muito só e completamente ignorante sobre a questão, ela procurou outra mãe como ela para conversar e não encontrou.

Em 1997, formou um pequeno grupo de mães de homossexuais, também para que outras mães tivessem o que ela não teve. Até 1999, o grupo não passava de quatro mães, que se encontravam em sua casa.

Em 1999, o grupo virtual foi fundado e o GPH começou a crescer, principalmente porque Edith criou coragem para divulgar sua existência na mídia.

A partir de julho de 2005, o grupo contou com o apoio psicológico voluntário do psicólogo Klecius Borges, o único especialista em terapia afirmativa no Brasil.

Durante esse tempo, sua fundadora tem feito parcerias com vários grupos de militância e com a Prefeitura de São Paulo, principalmente para falar sobre a diversidade sexual para professores da escola pública.

Em julho de 2006, a Editora Record lançou o livro “Vidas em arco-íris – Depoimentos sobre a homossexualidade”, de autoria da fundadora do GPH, livro feito a partir de 89 entrevistas com homens e mulheres homossexuais, de 15 a 62 anos. Agora lança MÃE SEMPRE SABE? que nos traz uma abordagem franca sobre o complexo e ainda pouco explorado tema da diversidade sexual dentro da família, a fim de fornecer instrumentos emocionais e psicológicos para os pais lidarem com a orientação sexual de seus filhos e filhas.

Lançamento de "Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais" dia 18 de outubro, sábado, das 19h às 22h. no Shopping Pátio Paulista - Saraiva MegaStore (próx. Pr. Oswaldo Cruz, no final da av. Paulista) - São Paulo - SP.

Glauco Mattoso

Glauco Mattoso, pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva, (São Paulo, 29 de junho de 1951) é um poeta e escritor brasileiro e é um dos mais radicais representantes da ficção erótica e da poesia fescenina em língua portuguesa, descendente direto de Gregório, Bocage e, em prosa, de Sade e Masoch. Seu nome artístico é um trocadilho com glaucomatoso, termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total em 1995. É também uma alusão a Gregório de Matos, de quem se considera herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.





















M(ai)S: antologia sadomasoquista da literatur
a brasileira
de Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e Glauco Mattoso (organizadores)
194 páginas


Antes de tudo, é possível falar em literatura sadomasoquista? O SM, assim como homosexualidade, a pedofilia, o feminismo e a política são temas, que podem, ou não serem convertidos em escolas artísticas, entre elas, a literatura.

De que maneira se constrói a temática SM? São necessários dominadores e dominados, deve haver violência e dor convertidos em prazer, pelo menos para um dos dois, mas não apenas isso. Como diz Greimas, em sua semiótica, enquanto os castigos são oriundos de vinganças e reparações de faltas, o sadismo não depende dessas relações, uma vez que o ato sádico se completa em si mesmo. Castigos e vinganças precisam de um motivo que os acione; o sadismo se explica e justifica-se sozinho.

Correlacionado ao erotismo, o sadismo greimasiano dá forma ao tema sadomasoquista, que pode não passar de um tema entre outros temas, ou pode ser eleito como compromisso ético, estético e literário determinante. Uma antologia SM, portanto, deve ter, no mínimo, esse esclarecimento discursivo.


Apresentação: O discurso sadomasoquista
Antonio Vicente Seraphim Pietroforte

Incluídos nessa coletânea:
José de Alencar
Machado de Assis
Valentim Magalhães
Cruz e Sousa
João do Rio
Augusto dos Anjos
Pedro Xisto
Wilma Azevedo
Glauco Mattoso
Delmo Montenegro
Claudio Daniel
Antonio Seraphim Pietroforte
Joca Reiners Terron
Marcelo Sahea
Virna Teixeira
Luiz Roberto Guedes
Horácio Costa
Del Candeias
Frederico Barbosa
Ana Rüsche
Dirceu Villa
Contador Borges
Marcelo Tápia
Luís Venegas
Ivana Arruda Leite
Leila Míccolis
Renata Belmonte
Flávia Rocha
Adelice Souza
Leo Pinto
Ceguinho do Ceará
Victorio Verdan
João Silvério Trevisan
Hugo Guimarães
Gustavo Vinagre
Ronaldo Bressane
Pedro Tostes
Marcelo Mirisola
Caco Pontes
Mário Bortolotto
Ademir Assunção
Marcelino Freire
Leandro Leite Leocadio
Berimba de Jesus


Faca cega
de Glauco Mattoso
120 páginas



Este volume registra quatro aventuras poéticas de Glauco Mattoso, duas delas em parceria com novos talentos de velhos gêneros, tais como Danilo Cymrot na décima e Leo Pinto no soneto. O ciclo que dá título ao livro compõe-se de dez sonetos e conta a história da vítima deficiente que se converte em herói superdotado, graças à credulidade do povo e à marginalidade que o cerca. O segundo ciclo narra uma saga mais extensa, composta de quarenta sonetos, adiante comentados. Os ciclos terceiro e quarto são pelejas de Glauco Mattoso, respectivamente com Cymrot e Pinto, nas quais o duelo entre mestre e discípulos serve de laboratório à experimentação temática e formal nesse tradicional pingue-pongue versificado: a “Peleja de Danilo Cymrot com Glauco Mattoso” (2005) e o“Epistolário escatológico de Leo Pinto” (2007) são resultado do diálogo internáutico que Mattoso manteve com dois de seus alunos numa oficina poética. Na “Peleja”, as décimas se pautam pela “deixa”, praxe popularizada pelos cordelistas e cantadores. Já o “Epistolário”, composto de sonetos, foge ao costume nordestino para remontar aos jogos barrocos e arcádicos, ainda que contextualizado na pós-modernidade.


Confira o Soneto do Pistolão

SONETO DO PISTOLÃO (#32)

O cara é do partido governista
e em tudo uma influência ele trafica.
Praquele gabinete alguém me indica
e brilha seu olhinho, mal me avista!
Percebo que emplaquei outra conquista:
me trata friamente, até que fica

difícil disfarçar que minha pica deseja,
mas eu quero que ele insista!

Não tarda, estou sentado à sua mesa,

vestindo terno, e apóio os pés cruzados
no braço da poltrona, de surpresa!
Só falta ele os sapatos engraxados

lamber até lustrar!
A rola tesa
divide seu olhar
com meus solados!


LANÇAMENTOS DA
Annablume, Dix Editorial

terça-feira, 7 de outubro de 2008

ABRINDO O ARMÁRIO


ABRINDO O ARMÁRIO Encontrando uma nova maneira de amar e ser feliz de Julio Wiziack


Nº de páginas - 88

Você sabe o que é esconder um segredo a sete chaves com medo de ser humilhado, rejeitado, caso alguém o descubra? E se esse segredo for uma parte de você mesmo, algo de que você não tem culpa alguma e o desprezo vier de seus parentes e amigos mais próximos? É por isso que muita gente se tranca com segredo e tudo num lugar solitário, sombrio e misterioso: o armário!

Mas que sensação maravilhosa libertar-se, livrar-se dos medos e angústias, sair dessa escuridão e, simplesmente, ser o que se é. É essa incontida alegria que emana do livro Abrindo o armário – encontrando uma nova maneira de amar e ser feliz, escrito por Julio Wiziack.

Para Julio, a homossexualidade nunca foi um problema, mas a homofobia sim: ela "está lá despudorada, segurando aquela bolsinha católica toda vez que me vê caminhando de mãos dadas com meu namorado. Também se faz notar na cara feia para as meninas que se beijam num banco de praça. E melindrosamente se disfarça no instante em que um garoto efeminado ouve não ao seu pedido de emprego".

Por meio de uma série de relatos muito sinceros e bem-humorados, Julio nos conta como foi afundar numa forçada relação heterossexual que, por pouco, não terminou em casamento; como foi o momento em que abriu o jogo com o seu pai, cheio de planos para os tão sonhados netos; como foi contar pra toda a família: mãe, irmã, tias e avó; como é assumir em pleno trabalho, encarando chefe e colegas.

Em todas essas situações, sair do armário pode ser algo bem complicado, uma tarefa quase impossível para alguns. O incentivo e o apoio vieram de Betina ("a mulher mais bicha que já conheci"), sua melhor amiga (sim, pois todo gay que se preza tem uma grande amiga!). Nessa hora, amigos são muito importantes, mas nada como um bom terapeuta para ajudar a desatar os nós, tocar nos pontos certos e estimular as descobertas. Os conselhos e explicações do Dr. Klécius Borges, o primeiro terapeuta brasileiro a se dedicar à terapia afirmativa especificamente para clientes gays, foram fundamentais para as decisões que mudaram a vida de Julio. Generosamente, Julio divide com o leitor os ensinamentos e sacadas proporcionados pelos papos com o psicólogo.

Em seu texto leve e muito bem escrito, cheio de pertinentes posicionamentos, Julio revela ao leitor como aprendeu a ficar mais atento a suas atitudes e sentimentos, de modo a livrar-se de culpa, medos e preconceitos. Pois somos todos empurrados pra dentro de um armário quando repetimos uma piadinha preconceituosa; quando um estabelecimento comercial expulsa duas pessoas do mesmo sexo apenas por terem demonstrado afeto entre si; quando as autoridades transformam vítimas em réus apenas por não serem heterossexuais.

Abrindo o armário é um livro que vai ajudar muito a quem está trancado, assim como a todas as pessoas que convivem com alguém assim. Além disso, este livro também é de grande ajuda para quem já se assumiu, para quem quer construir uma relação estável baseada na franqueza consigo mesmo, com o outro e com o mundo.

SEXO TROCADO


SEXO TROCADO
de John Colapinto

320 páginas

Sexo Trocado ("As The Nature Made Him") de John Colapinto. Este livro detalha a persistência da identidade de gênero masculina e a adesão a um papel social de gênero masculino de uma pessoa cujo pênis foi totalmente destruído logo após o nascimento devido a uma circuncisão mal feita, e que foi então subseqüentemente redesignado pela construção de uma genitália feminina.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pierre et Gilles


Os artistas gays franceses Pierre Commoy (fotógrafo) e Gilles Blanchard (pintor) formam uma parceria artistica de longa data além de serem um par, digamos, romantico. Eles produzem fotografias altamente estilizadas, construindo com retoques um ambiente todo especial. Muitas vezes os seus trabalhos partem de imagens com características de cultura popular, outras vezes remetem à cultura gay (especialmente James Bidgood) incluindo um pouco do que chamam de pornografia , e religião.

Pierre Commoy, o fotógrafo, nasceu em 1949 em La Roche-sur-Yon. Gilles Blanchard, o pintor, nasceu em 1953 em Le Havre. Após estudos arte, instalaram-se em Paris em 1973, quando se encontraram em 1976, e começaram a trabalhar em conjunto.

As estrelas fotografadas por Pierre et Gilles incluem músicos como Lio, Khaled, Étienne Daho, Marie França, Mikado, Marc Almond, Marilyn Manson, Madonna, Kylie Minogue, José Carreras, Deee-Lite, The Creatures, Nina Hagen e CocoRosie ;e ainda modelo Naomi Campbell, a atriz Catherine Deneuve, ator Layke Anderson e designer Jean-Paul Gaultier.

A dupla "Pierre et Gilles", como ficaram conhecidos, compõe uma obra instigante, ácida, marcada pelo diálogo com a cultura pop. A obra é adensada pelas influências arcaicas da cultura européia, tais como um catolicismo de louvação e sincretismos da cultura massificada. O pop, a cultura homoerótica, a publicidade, a banalidade da vida cotidiana, o kitsch e a prática do retrato são elementos recorrentes. Acabaram por tornarem-se ícones da arte gay.

O livro que aqui apresentamos tem inspiração na vida aventureira e boêmia dos marinheiros. Confira aqui algumas imagens.

Raul Galalite

domingo, 5 de outubro de 2008

Falo no jardim


Falo no jardim Priapéia grega, priapéia latina de João Ângelo Oliva Neto

Páginas - 432
Capa dura e ilustrações


Este livro nos oferece os originais de poemas gregos e latinos, tendo como figura central Priapo, deus fálico, protetor da fecundidade e da fertilidade, e, ao lado, rigorosa tradução poética em língua portuguesa. Apresenta notas explicativas que auxiliam a compreensão do texto. Além disso, o livro contém 60 imagens de esculturas, pinturas, mosaicos, relevos, que figuram Priapo, como outras divindades e até objetos cotidianos em que se representa o falo. Traz também poemas priapeus do Brasil, Portugal e Itália.

Podemos dizer que Falo no Jardim é um livro de poesia para quem gosta de poesia antiga – grega e latina – composta em um arco de tempo que se estende do século III a.C. até o século VI d.C. Traz texto e tradução em verso de todos os oitenta e seis poemas anônimos da Priapéia Latina e dos trinta e sete da Priapéia Grega, realizados por João Angelo Oliva Neto para o doutoramento, orientado pelo professor Antônio Medina Rodrigues. Os poemas, relativos a Priapo, deus da fecundidade, carregam o caráter desse deus que dita o teor dos textos.


Assunto: Col. Clássicos Comentados 5, Poesia, Literatura estrangeira, Mitologia


UMA EDIÇÃO Editora Unicamp Co-Edição - Ateliê Editorial

No escurinho do cinema: cenas de um público implícito


No escurinho do cinema:
cenas de um público implícito

de Alexandre Fleming Câmara Vale
176 páginas

Este livro é o resultado de uma pesquisa antropológica numa das salas do cinqüentenário e hoje extinto Cine Jangada. Tendo como pano de fundo a história das salas de exibição de Fortaleza, bem como os arranjos do circuito exibidor local, Alexandre Fleming realiza, para além do exótico e do anedótico, uma reflexão etnograficamente informada sobre os guetos da cidade. Apresenta o processo reordenador da geografia das salas de exibição: no centro, a pornografia vira destino, desaparecem as grandes salas e os shoppings passam a ser a nova morada do cinema.

Áreas e temas de interesse: antropologia, história, cinema e pornografia, homossexualismo


UM LANÇAMENTO
ANNABLUME

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O BANQUETE


O BANQUETE de Platão
tradução direto do grego de Carlos
Alberto Nunes

Estamos falando desta vez de um clássico e muito especialmente desta edição que faz parte de uma segunda edição completa das obras de Platão organizada por Benedito Nunes e estruturada em 1980. São 14 volumes. O Banquete é publicado conjuntamente com a Apologia de Sócrates.


Esta é uma tradução de um dos mais celebrados textos de Platão, onde encontramos os diálogos éticos acerca da natureza e qualificação de Eros, ou o tema do Amor. No Banquete, de que é o tema central, Eros é objeto de vários elogios, mas o elogio propriamente filosófico vem de Sócrates pela boca da mulher de Mantinéia, a sábia Diotima. Assim como em A República, O Banquete tem lugar certo e público identificável: ocorreu na casa de Agatão, discípulo de Sócrates. Lá discursaram sobre o amor, ou sobre a amizade (philia), esses dois, além de Fedro, Pausânias, Erixímaco (o médico) e Aristófanes (o poeta). Sendo assim, ao redigir O Banquete, Platão utilizou-se de personalidades da época como o comediante Aristófanes, o poeta Agatão, o médico Erixímaco, para servir de porta-vozes de seu pensamento, servindo de exemplos para os leitores da obra.

O que realmente se passou na casa de Agatão começa a ser relatado por Apolodoro em 174a. Sócrates chega por último, quando todos já estavam acomodados e o banquete já havia se iniciado, estando pelo meio. Frente ao banquete, Pausânias lembra que deveriam beber com moderação: faz referência ao dia anterior, no qual havia bebido exageradamente e ficado abalado fisicamente.

Os discursos sobre o amor iniciam com Fedro: "iniciou o seu discurso [Fedro] declarando que Eros era uma divindade poderosa e admirável, tanto entre os homens como entre os deuses, por várias razões, mas, antes de tudo, pelo nascimento." Fedro é o primeiro, e por isso pai do discurso, a falar sobre o deus Eros: ele condena o ofício dos poetas que têm por missão cantar hinos aos deuses mas se esquecem de Eros. Fedro, no seu discurso, faz a justificação moral de Eros, mas não investiga a fundo sua essência e suas formas. De qualquer forma, é devido à fala desse discípulo de Sócrates que toda a discussão se inicia. Com o intuito de elevar Eros, Fedro encerra seu discurso dizendo que esse é o deus mais antigo, mais respeitável e o mais "autorizado" a levar o homem à posse das virtudes e da felicidade, nesta vida e depois da morte!

Escrito aproximadamente antes de 384 a. C, O Banquete é constituído por sete discursos em louvor a Eros, deus do amor, antecedidos pela apresentação dos personagens e finalizados pelo discurso de Sócrates, que conclui o simpósio. O diálogo se encerra quando Alcebíades, estratego do exército ateniense, fingindo estar bebado, faz uma declaração de amor a Sócrates.

E.Cruz

Uma publicação da
Editora Universitária UFPA






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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

GUERRA DE ESPERMA




GUERRA DE ESPERMA
de Robin Baker

Coleção - CONTRALUZ
Páginas - 406

Tratando de temas polêmicos como infidelidade, homossexualismo e reprodução, o dr. Robin Baker escreveu Guerra de esperma, livro no qual defende que o nosso comportamento sexual é geneticamente programado. O autor mostra ainda que há outros fatores, além da herança genética do pai e da mãe, que influem na concepção, como, por exemplo, se a mãe chegou ao orgasmo durante a fecundação, se os pais se masturbaram momentos antes ou se havia no corpo da mãe espermatozóides de outros homens. Robin Baker leciona Zoologia na Universidade de Manchester e desde 1988 vem fazendo pesquisas sobre a competição do esperma humano e suas implicações na sexualidade.

Robin Baker é um  zoólogo inglês de 57 anos, Ph.D. em evolução do comportamento humano e professor aposentado da Universidade de Manchester. Segundo ele, “Estamos vivendo uma transição que vai acabar com 2 mil anos de monogamia cristã. Biologicamente, homens e mulheres ficam juntos para tornar viável a criação de filhos, reduzir as possibilidades de contrair doenças sexualmente transmissíveis e, no caso dos homens – a exemplo de outros animais –, ter um controle maior da fêmea, para que ela não gere filhos de outro macho”.

Roy Stuart Volume II





Roy Stuart é considerado o maior mestre na sua especialidade: fotografia erótica. Nasceu em Nova Iorque, vive em Paris e é nos luxuosos apartamentos desta cidade que fotografa.

As fotografias de Roy Stuart,oferecem uma perspectiva alternativa do Mundo.

Através das suas histórias visuais, o fotógrafo dá a mão ao espectador e acompanha-o na procura dos limites exteriores do possível. Seduz o público para o questionar, explorar e colocar cara a cara com os seus próprios desejos proibidos.

As suas fotografias não são mais do que os espelhos dos nossos tabus e do potencial erótico que temos dentro de cada um de nós.

Trata-se de um trabalho, em cores fortes ou a preto e branco, que pretende ser explícito onde mulheres interpretam fantasias em imagens sumptuosamente captadas pela objectiva.


Para o fotógrafo norte-americano, que vive e trabalha em Paris há 15 anos, o essencial de cada trabalho passa sempre por fotografar pessoas desconhecidas, para assim conseguir ambientes mais realistas.

Ainda que o seu trabalho fotográfico seja marcado por um ambiente fantasioso, erótico, repleto de fetiches do quotidiano, Roy Stuart não o considera chocante ou pornográfico.

Os seus modelos, cenários e encenações são escolhidos com rigor. As poses são as naturais de cada um e as próprias destas situações.

O seu segredo é apresentar, de uma forma elegante.

Este Roy Stuart Volume II é mais dedicado às mulheres dominadoras, e ao lesbianismo.

veja aqui algumas fotos do livro