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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eve Kosofsky Sedgwick


Between Men: English Literature and Male Homosocial Desire
de Eve Kosofsky Sedgwick




Este é um livro fundamental para a teoria queer, e discute que o desenvolvimento social muito mais dependeu do desejo homosocial masculino do que de outra coisa. Esta é uma obra de crítica literária que talvez possa parecer inacessível ao público geral, porém é sem dúvida uma das obras fundamentais para a sua biblioteca, escrita por uma das mais provocadoras figuras culturais de nossa geração.





Epistemology of the Closet

de Eve Kosofsky Sedgwick



Desde a década de 1980, os estudos da teoria sobre o queer tornaram-se vitais para a vida intelectual. Este tem sido o principal motivo popularidade dos livros de Eve Kosofsky Sedgwick. Trabalhando a partir de textos clássicos de escritores europeus e americanos - incluindo Herman Melville, Henry James, Marcel Proust, e Oscar Wilde - Sedgwick delineia um momento histórico em que a identidade sexual se tornou tão importante como a demarcação de gênero tinha sido, durante séculos.
Epistemology of the Closet é um livro importante. É um dos textos fundamentais da teoria queer e, como tal, é um livro desafiador para ler . É essencialmente para um público acadêmico. Mas, todo intelectual que está interessado em estudos gays e lésbicos, enfim, de estudos queer, estudos de gênero e feminismo, deve coloca-lo na lista de livros essenciais para ler. O enfoque na maior parte do tempo é sobre homossexualidade masculina .

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

AS ENTREVISTAS DO GAY SUNSHINE

SEXUALIDADE E CRIAÇÃO LITERÁRIA
organizado por WINSTON LEYLAND
GAY SUNSHINES ENTERVIEWS
Editora - CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
Ano - 1980
Nº de páginas - 251


A sucessão gay


Walt Whitman dormia com Edward Carpenter
Edward Carpenter dormia com Gavin Arthur
Gavin Arthur dormia com Dean Moriarty
Dean Moriarty dormia com Allen Ginsberg
Allen Ginsberg dormia com ...

O documento seguinte apareceu pela primeira vez no Jornal Gay Sunshine 35 (1978) e foi reimpresso como um apêndice da entrevista de Allen Ginsberg no livro Gay Sunshine Entrevistas, Volume 1, Gay Sunshine Press, 1978.

Allen Ginsberg escreveu: "O falecido Gavin Arthur, astrólogo de San Francisco e companheiro de Sufi Sam, morreu em 1972 após uma longa vida amorosa. Pedi~le para escrever, uma memória do seu encontro com Edward Carpenter, que por sua vez, segundo Gavin Arthur tivera um encontro com Walt Whitman, quando, ainda segundo Arthur, Whitman recomendou-o a Ramakrishna na Índia, para onde Carpenter iria viajar. Assim, este é um documento confiado a mim por Gavin Arthur, em 1967, o ano do 1st Human Be-In, em San Francisco.

Segue aí um curioso texto memorialista onde até um certo mate do Brasil seria citado. O livro é fascinante e nos brinda com entrevistas de -
ALLEN GINSBERG. WILLIAM BURROUGHS. ROGER PEYREFITTE. CHRISTOPHER ISHERWOOD. JOHN RECHY. GORE VIDAL. TENNESSEE WILLIAMS.

Nos trazendo CONEXÕES ENTRE A SEXUALIDADE E A CRIATIVIDADE ARTÍSTICA.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Edmund White

















Edmund White nasceu em 13 de janeiro de 1940, em Cincinnati, Ohio. " Seu pai era, de acordo com White, "um pequeno empresário que fez um monte de dinheiro e, depois, perdeu grande parte dele durante o período em que os pequenos empresários estavam sendo substituída pelas grandes corporações." Quando seus pais se divorciaram, e ele passou com mãe e irmão a viver nos arredores de Chicago.

Em 1991 seu ensaio intitulado "Fora do armário, para a Biblioteca," escreveu - "Como um adolescente passei a tentar desesperadamente ler coisas para que poderiam assegurar-me ou desculpar-me que não era o único com aqueles sentimentos." No início dos anos 1950, os livros que ele poderia encontrar em Evanston, Illinois, Biblioteca Pública foram Morte em Veneza Thomas Mann (que sugeria, sendo White que a homossexualidade foi fetida, platônica e difícil de lidar) e a biografia de Nijinsky por sua esposa (na qual ela obliquamente lamentou a demoníaca influência do impresario Diaghilev em seu "santo marido", o dançarino.)

White participou da exclusiva Cranbrook Academy, e mais tarde graduou-se em chinês na Universidade de Michigan. De passagem para a cidade de Nova Iorque , ele trabalhou para a Time-Life Books de 1962 até 1970. Após um ano em Roma, regressou para os E.U.A onde trabalhou como editor . Em meados da década de 1970, ele e outros seis gaysd e Nova Iorque , os escritores Andrew Holleran, Robert Ferro, Felice Picano, George Whitmore, Christopher Cox, e Michael Grumley formaram um clube informal conhecido como o Quill Violet. Reunidos em um apartamentos, eles liam e faziam críticaa aos trabalhos . Juntos, eles representavam o florescimento do tipo de livro Edmund White como um adolescente gay , em Illinois tinha tentado encontrar. Os romances de White incluem uma alegórica fantasia a Fire Island life, Forgetting Elena (1973), Nocturnes for the King of Naples (1978) e os dois primeiros volumes de uma autobiográfica tetralogia, A Boy's Own Story (1982) and The Beautiful Room Is Empty (1988). White completa a tetraologia com The Farewell Symphony (1997) and The Married Man (2000).

White sempre teve o desejo de definir, nos finais dos anos 1970 e início de 1980, os parâmetros da "cultura gay" . Com a AIDS, é claro, tudo exacerbou-se e White enfrenta o dilema de escritores gays de hoje: "Alguns ... Acham que é abusivo lidar com qualquer coisa [que não sejam AIDS], outros acreditam que, uma vez que a cultura é gay corre o risco de ser reduzida a uma única questão, uma vez que equipara uma homossexualidade como uma condição médica. "O verdadeiro dever de gay é de lembrar aos leitores a riqueza das realizações dos gays ". Só dessa forma, será o património gay será transmitido . A escolha de White é clara: um de seus mais recentes trabalhos é uma monumental biografia do romancista e dramaturgo francês Jean Genet que é celebrado como um tesouro do património gay, e defende a centralidade da homossexualidade de Genet a qualquer consideração a respeito de sua obra.


"I do think that sex is something worth dying for. I believe what art is primarily about is beauty, and what beauty is about is death."


O HOMEM CASADO
408 páginas
Arx, 2002











O livro apresenta a história de Austin Smith, professor norte-americano especializado em artes que vive em Paris. Desiludido com o amor e conformado com a solidão, um dia encontra Julien, arquiteto francês muito mais jovem e casado. Assim, o contato casual inicialmente estabelecido evolui para um relacionamento intenso.

O Lindo Quarto Está Vazio
Mandarim













Aquele era um tempo e um lugar em que havia pouco consumo de cultura e nenhuma divergência, não quanto a aparência, credo e comportamento.(...)Todo mundo comia a mesma comida, vestiam as mesmas roupas e as poessoas decidiam se elas eram democratas ou repúblicanas.Os três crimes ediondos mais conhecidos para o homem eram:o consumismo, vício de heroina e homosexualidade. Pág.261

Um Jovem Americano
189 páginas
Siciliano














É um romance moderno que evoca na memória do leitor o confuso ritual que marca a passagem da adolescência à vida adulta.

e ainda

GENET: UMA BIOGRAFIA
Record
784 páginas

É o relato definitivo da vida marginal- dos internatos à deportação, passando pelas cadeias - de um dos mais polêmicos escritores franceses do século XX. Edmund White apresenta uma biografia meticulosa, fruto de um trabalho de sete anos de pesquisa, onde apresenta o trabalho de Genet de uma forma concisa e sem preconceitos. Genet foi amigo das principais mentes de seu tempo: o filósofos Sartre, Derrida e Foucault; os escritores Cocteau e Jouhandeau, Juan Goytisolo e Moravia; os compositores Stravisnky e Boulez; o diretor de teatro Roger Blin; os pintores Leonor Fini e Christian Bérad, o escultor Giacommetti; os líderes políticos Pompidou e Mitterand, diz White. Ladrão, prostituído, prisioneiro, mendigo, bastardo, Jean Genet é um dos monstros sagrados da literatura francesa. Apenas um punhado de escritores do século XX, como Kafka e Proust, tem uma voz e um estilo tão importantes, tão autorizados, tão irrevogáveis, escreveu Susan Sontag no lançamento de romances do autor nos Estados Unidos, em 1963. Genet passou a juventude em reformatórios e prisões onde afirmou sua homossexualidade. Enquanto compunha romances ou peças consagradas como O balcão, Os negros e Os biombos criou uma chocante mitologia pessoal marcada por escândalos, roubos e rixas. Colecionou uma sucessão de amantes que o acompanharam pelo bas fond parisiense e conquistou o grand monde intelectual europeu. Seus primeiros trabalhos - Nossa Senhora das Flores e O milagre da Rosa, chamaram a atenção de Jean Cocteau, mas foi através da influência de Jean Paul Sartre que ficou famoso. Depois do suicídio de um de seus amantes, do amigo e tradutor Bernard Frechtman e de uma tentativa de suicídio, Genet atravessou a década de 1960 colhendo frutos de sucesso de seus romances, peças e roteiros. Mas a partir dos anos 70 até a sua morte em 1986, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes na França, assumiu a causa dos palestinos e envolveu-se com líderes de movimentos norte-americanos como Panteras Negras e beatnicks. Eu não tenho leitores, e sim milhares de voyeurs que me espiam de uma janela que dá para o palco da minha vida pessoal, declarou certa vez o escritor. A obra e a vida de Genet cobrem um vasto território intelectual, social e político que ressurge nesta biografia de Edmund White não só como recuperação de uma trajetória ímpar, mas como um painel de movimentos culturais do século XX. GENET faz parte da Coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, seus aspectos históricos, políticos, literários e antropológicos.

Uma biografia inteligente e encantadora, sem preconceitos. London Review of Books

Uma contribuição ímpar para a compreensão da obra de Genet, de seu idiossincrático sistema ético e singular experiência de vida (...) Memorável. San Francisco Review of Books.


e mais a Biografia

Marcel Proust - Serie Breves Biografias
Objetiva
Abrindo a série - breves biografias, Marcel Proust de White é um grande exemplar da biografia em sua forma curta, que ilumina tanto o personagem quanto sua época de forma economica e loquaz, olhando escritor com a admiração pela sua obra e sua condição homossexual pouco discutida.


Toda a sua Obra

Forgetting Elena
The Joy of Gay Sex
Nocturnes for the King of Naples
States of Desire: Travels in Gay America
A Boy's Own Story
The Beautiful Room is Empty
Caracole
The Darker Proof: Stories from a Crisis
The Faber Book of Gay Short Fiction
Genet: A Biography
The Burning Library
Our Paris: Sketches from Memory
Skinned Alive
The Farewell Symphony
Marcel Proust
The Married Man
Loss Within Loss: Artists in the Age of AIDS
The Flâneur
Fanny, A Fiction
Arts and Letters
My Lives
Chaos
Hotel de Dream


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Meta



de Darcy Penteado

da antiga Edições Símbolo
Ano: 1977
Edição: 2ª

Darcy Penteado, nasceu em São Roque em 1929 e faleceu aos 61 anos, em 5 de dezembro de 1987, foi desenhista, cenógrafo, autor teatral e pioneiro militante do movimento GLS brasileiro.

Distinguindo-se sempre pelos elegantes desenhos a bico de pena, trabalhou primeiro em publicidade e como figurinista, ilustrando revistas de moda, passando logo a trabalhar em teatro, como figurinista e cenógrafo, tendo participado, na década de 1950, do TBC.

Participou de inúmeras exposições, ilustrou livros e foi uma figura presente na cena cultural da cidade de São Paulo entre a década de 1950 e década de 1980, quando faleceu vitimado pela AIDS.

Escreveu peças de teatro e lançou o livro A Meta em 1976, combatendo a discriminação. Participou ativamente, durante os anos de repressão da ditadura militar como editor do extinto tablóide O Lampião, especializado na questão da diversidade sexual.

Nos últimos dois anos de vida, retirou-se para uma mansão no alto da Serra da Cantareira, São Paulo, e continuou suas pinturas.Foi de Darcy Penteado, ainda no início da década de 80, a primeira tentativa de arrecadação de fundos em benefício da pesquisa sobre a Aids no Brasil, através de um leilão. Apesar de desencantado com os resultados, participou de diversas campanhas de concientização sobre a AIDS, tendo gravado uma chamada para a televisão, de alerta ao público.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ALÉM DO CARNAVAL

A HOMOSSEXUALIDADE MASCULINA NO BRASIL DO SÉCULO XX

de JAMES GREEN

tradução de
MARIA CRISTINA FINO

Páginas: - 541




Uma obra fantástica tanto do ponto de vista documental como analítico. "Como obra pioneira, Além do carnaval examina a realidade social e cultural da homossexualidade masculina no Brasil ao longo do século XX. James Green questiona a visão estereotipada de que a expressão desinibida e licenciosa do comportamento homossexual durante o carnaval comprova a asserção de que a sociedade brasileira tolera a homossexualidade e a bissexualidade na vida cotidiana. Sustentado por ampla pesquisa e sólida erudição, esta obra traz uma contribuição inestimável a uma área negligenciada da história social brasileira" no saber de Robert M Levine, professor de História e diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Miami.

Mede a influência dos modelos teóricos europeus selecionados pelos sexólogos brasileiros. Faz frente em especial aos acontecimentos que provocaram uma nova identidade homossexual (no Rio de Janeiro e São Paulo) a partir da década de 70. A obra de leitura fácil navega no tempo e expõem entre fatos hediondos de preconceitos explícitos , casos curiosos que povoam até hoje o "folclore" do mundo gay.

"Durante muito tempo, o carnaval brasileiro, com seu cortejo de homens travestidos de mulher, vendeu, dentro e fora do país, a imagem de uma convivência pacífica da sociedade com a homossexualidade e a bissexualidade. Este livro inovador do brasilianista James N. Green - ganhador do prêmio "Hubert Herring", do Conselho de Estudos Latino-Americanos na Costa do Pacífico (EUA), e o da Fundação "Paul Monette" como o melhor trabalho sobre estudos gays e lésbicos - mostra que por debaixo dos trajes à la Carmen Miranda, típico mito de exportação da alegria e descontração carnavalescas, sempre esteve escondido não a tolerância, mas o preconceito. O estudo de Green se concentra na homossexualidade masculina no Rio de Janeiro e em São Paulo, ao longo do século XX. O primeiro período analisado é o da chamada belle époque carioca, que vai da virada do século até 1920, destacando-se a Praça Tiradentes como ponto de encontro dos homossexuais masculinos. O autor examina, entre outras coisas, aquela que talvez seja a primeira pornografia homoerótica brasileira, O menino do Gouveia, conto anônimo publicado na revista Rio Nu, em 1914; o romance Bom-Crioulo de Adolfo Caminha; o levantamento feito em 1872 pelo médico Ferraz de Macedo dos vários tipos de comportamento homoerótico, bem como o tratado de Pires de Almeida, de 1906, sobre o homossexualismo, além da figura pública do dândi João do Rio, um dos mais célebres escritores do país. Nos anos que vão de 1930 a 1945, o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, passa a desempenhar um papel semelhante ao da Praça Tiradentes no período
anterior. No Rio, o boêmio bairro da Lapa vê surgir uma das figuras mitológicas da malandragem carioca, o pernambucano João Francisco dos Santos, o temido Madame Satã, homossexual assumido e bom de briga. São também dessa época as diversas pesquisas de médicos, juristas, psiquiatras e crimonologistas sobre a homossexualidade, boa parte delas de inspiração eugenista, visando classificar ou curar o que acreditavam ser a "perversão" homossexual. No período seguinte, que vai até 1968 e a decretação do AI- 5, verifica-se uma intensificação das subculturas homossexuais no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a ocupação de novas áreas nas cidades, a abertura de bares exclusivamente para gays e os bailes carnavalescos de travestis, sobretudo ao redor da Praça Tiradentes. Data dessa época o surgimento de um modesto jornal gay rodado em mimeógrafo, O Snob, que inspiraria cerca de trinta outras publicações similares em todo o país. A polaridade entre homossexual passivo e ativo, entre "bicha" e "bofe" começa então a ser posta em xeque. O capítulo dedicado à "apropriação homossexual do carnaval carioca" é um dos mais fascinantes do livro, não faltando sequer a controvertida figura de Rock Hudson entre os mais afoitos foliões de 1958. De 1969 a 1980, ou seja, entre o pior momento da ditadura militar e o aparecimento, em 1978, do jornal gay Lampião da Esquina e do grupo Somos, o espaço urbano gay se expande significativamente, com a proliferação de bares, discotecas, saunas etc. Travestis e michês, que vivem da prostituição, passam a ser vistos como freqüência cada vez maior nas ruas do Rio e de São Paulo. Data desse período um movimento gay politizado no Brasil, com cuja análise se encerra esta obra extremamente bem documentada e que prende a atenção do leitor ao longo de suas quase quinhentas páginas."

resenha de e. cruz