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terça-feira, 14 de outubro de 2008


RAVENALAS poemas (2004-2008) de Horácio Costa




Horácio Costa (São Paulo-SP, 14/12/54). Formado em Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP, 1978); Mestre em Letras (New York University, 1983), PhD em Yale (1994). Professor na UNAM (México), 1987-2001. Desde então, é professor da FFLCH-USP. Publicou 28 poemas 6 contos (São Paulo, 1981); Satori (São Paulo, 89; atualmente sendo traduzido ao espanhol), O livro dos Fracta (México e São Paulo, 90), The very short stories (São Paulo, 91; México, 95), O menino e o travesseiro (São Paulo, 93; re-edição 03; México, 98); Los jardines y los poetas (Caracas, 94), Quadragésimo (México, 96 e São Paulo, 99) e Fracta — antologia poética (São Paulo, 04). Livro de poesia por publicar: Ciclópico Olho . Traduziu e publicou Octavio Paz (Piedra de Sol/Pedra de Sol, Rio, 88), Elizabeth Bishop (Antologia Poética, São Paulo, 90), César Vallejo (Poemas Humanos; México, Rio e Lisboa, 92), Xavier Villaurrutia (Nocturnos; Lisboa, 94); por publicarem-se Xavier Villaurrutia (Poesia Completa, São Paulo) e Blanca Varela (Canto Vilão, São Paulo). Organizou dois eventos internacionais de poesia: "A palavra poética na América Latina, avaliação de uma geração" (São Paulo, Memorial da América Latina, 90; publicada em livro) e "O veículo da poesia" (São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, 98). Outros livros: José Saramago: o período formativo (Lisboa, 97 e México, 03) e Mar abierto: ensayos sobre literatura brasileña, portuguesa e hispanoamericana (México, 01). Tem poemas ou livros traduzidos ao espanhol, inglês, francês, romeno, macedônio e búlgaro. Fui presidente da ABEH — Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.

Lançamento do Selo Demônio Negro

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um corpo estranho



Um corpo estranho -
Ensaios sobre sexualidade e teoria queer


de Guacira Lopes Louro

Páginas- 96


Queer é estranho, raro, esquisito. Queer é, também, o sujeito da sexualidade desviante – homossexuais, bissexuais, transexuais, travestis, drags. É o excêntrico que não deseja ser “integrado” e muito menos “tolerado”. Queer é um jeito de pensar e de ser que não aspira o centro nem o quer como referência; um jeito de pensar e de ser que desafia as normas regulatórias da sociedade, que assume o desconforto da ambigüidade, do “entre lugares”, do indecidível. Queer é um corpo estranho que incomoda, perturba, provoca e fascina.


UM LANÇAMENTO
EDITORA AUTENTICA

Confissões de Acompanhantes



Confissões de Acompanhantes
de Newton Cannito

176 páginas

Crônicas, contos e depoimentos de mulheres que sobrevivem da mais antiga profissão do mundo

Confissões de acompanhantes é uma recriação literária baseada em relatos reais de prostitutas e homens freqüentadores da noite e traz textos que abordam sexo, amor e humor.

Segundo o cineasta e autor de telenovelas Antonio Calmon, a obra de Cannito “remete aos momentos mais deliciosos de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos, e resgata a vida como ela é para a ficção brasileira, com humor e arte.”

De autoria de Newton Cannito, o livro é parte integrante de uma obra homônima que inclui uma série de minidocumentários na Terra TV (estreando em setembro) e um espetáculo de Stand-up Comedy.

A Sá Editora edita e comercializa a obra de Cannito, lançando o selo editorial da FICs - Fábrica de Idéias Cinemáticas — no mercado nacional.

A série Confissões de Acompanhantes, exibida pelo Terra TV, apresenta o depoimento de seis garotas de programa, entre elas, a já conhecida do público Bruna Surfistinha. Ao todo, são 15 episódios gravados em estúdio, com três minutos de duração cada, nos quais as prostitutas falam sobre temas diversos: relação com os clientes, dilemas da profissão, família, relacionamentos e, como não poderia deixar de ser, sexo. Além da série na web, Confissões de Acompanhantes, estende-se a outras mídias e se caracteriza, dessa forma, como conteúdo multiplataforma. A empreitada inclui a realização de um espetáculo de humor e a publicação do livro homônimo (Sá Editora / FICs), escrito por Newton Cannito e ilustrado por Anderson.


distribuição da

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mãe sempre sabe?


Mãe sempre sabe?
de Edith Modesto
Coleção - CONTRALUZ


Editora RECORD




Edith Modesto é escritora, professora universitária e pesquisadora, mestra e doutora em Semiótica francesa pela USP e escritora de ficção juvenil e de livros para adultos sobre homossexualidade.

Em 1992, descobriu que o caçula de seus sete filhos (seis homens e uma mulher) é homossexual. Desesperada, sentindo-se muito só e completamente ignorante sobre a questão, ela procurou outra mãe como ela para conversar e não encontrou.

Em 1997, formou um pequeno grupo de mães de homossexuais, também para que outras mães tivessem o que ela não teve. Até 1999, o grupo não passava de quatro mães, que se encontravam em sua casa.

Em 1999, o grupo virtual foi fundado e o GPH começou a crescer, principalmente porque Edith criou coragem para divulgar sua existência na mídia.

A partir de julho de 2005, o grupo contou com o apoio psicológico voluntário do psicólogo Klecius Borges, o único especialista em terapia afirmativa no Brasil.

Durante esse tempo, sua fundadora tem feito parcerias com vários grupos de militância e com a Prefeitura de São Paulo, principalmente para falar sobre a diversidade sexual para professores da escola pública.

Em julho de 2006, a Editora Record lançou o livro “Vidas em arco-íris – Depoimentos sobre a homossexualidade”, de autoria da fundadora do GPH, livro feito a partir de 89 entrevistas com homens e mulheres homossexuais, de 15 a 62 anos. Agora lança MÃE SEMPRE SABE? que nos traz uma abordagem franca sobre o complexo e ainda pouco explorado tema da diversidade sexual dentro da família, a fim de fornecer instrumentos emocionais e psicológicos para os pais lidarem com a orientação sexual de seus filhos e filhas.

Lançamento de "Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais" dia 18 de outubro, sábado, das 19h às 22h. no Shopping Pátio Paulista - Saraiva MegaStore (próx. Pr. Oswaldo Cruz, no final da av. Paulista) - São Paulo - SP.

Glauco Mattoso

Glauco Mattoso, pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva, (São Paulo, 29 de junho de 1951) é um poeta e escritor brasileiro e é um dos mais radicais representantes da ficção erótica e da poesia fescenina em língua portuguesa, descendente direto de Gregório, Bocage e, em prosa, de Sade e Masoch. Seu nome artístico é um trocadilho com glaucomatoso, termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total em 1995. É também uma alusão a Gregório de Matos, de quem se considera herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.





















M(ai)S: antologia sadomasoquista da literatur
a brasileira
de Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e Glauco Mattoso (organizadores)
194 páginas


Antes de tudo, é possível falar em literatura sadomasoquista? O SM, assim como homosexualidade, a pedofilia, o feminismo e a política são temas, que podem, ou não serem convertidos em escolas artísticas, entre elas, a literatura.

De que maneira se constrói a temática SM? São necessários dominadores e dominados, deve haver violência e dor convertidos em prazer, pelo menos para um dos dois, mas não apenas isso. Como diz Greimas, em sua semiótica, enquanto os castigos são oriundos de vinganças e reparações de faltas, o sadismo não depende dessas relações, uma vez que o ato sádico se completa em si mesmo. Castigos e vinganças precisam de um motivo que os acione; o sadismo se explica e justifica-se sozinho.

Correlacionado ao erotismo, o sadismo greimasiano dá forma ao tema sadomasoquista, que pode não passar de um tema entre outros temas, ou pode ser eleito como compromisso ético, estético e literário determinante. Uma antologia SM, portanto, deve ter, no mínimo, esse esclarecimento discursivo.


Apresentação: O discurso sadomasoquista
Antonio Vicente Seraphim Pietroforte

Incluídos nessa coletânea:
José de Alencar
Machado de Assis
Valentim Magalhães
Cruz e Sousa
João do Rio
Augusto dos Anjos
Pedro Xisto
Wilma Azevedo
Glauco Mattoso
Delmo Montenegro
Claudio Daniel
Antonio Seraphim Pietroforte
Joca Reiners Terron
Marcelo Sahea
Virna Teixeira
Luiz Roberto Guedes
Horácio Costa
Del Candeias
Frederico Barbosa
Ana Rüsche
Dirceu Villa
Contador Borges
Marcelo Tápia
Luís Venegas
Ivana Arruda Leite
Leila Míccolis
Renata Belmonte
Flávia Rocha
Adelice Souza
Leo Pinto
Ceguinho do Ceará
Victorio Verdan
João Silvério Trevisan
Hugo Guimarães
Gustavo Vinagre
Ronaldo Bressane
Pedro Tostes
Marcelo Mirisola
Caco Pontes
Mário Bortolotto
Ademir Assunção
Marcelino Freire
Leandro Leite Leocadio
Berimba de Jesus


Faca cega
de Glauco Mattoso
120 páginas



Este volume registra quatro aventuras poéticas de Glauco Mattoso, duas delas em parceria com novos talentos de velhos gêneros, tais como Danilo Cymrot na décima e Leo Pinto no soneto. O ciclo que dá título ao livro compõe-se de dez sonetos e conta a história da vítima deficiente que se converte em herói superdotado, graças à credulidade do povo e à marginalidade que o cerca. O segundo ciclo narra uma saga mais extensa, composta de quarenta sonetos, adiante comentados. Os ciclos terceiro e quarto são pelejas de Glauco Mattoso, respectivamente com Cymrot e Pinto, nas quais o duelo entre mestre e discípulos serve de laboratório à experimentação temática e formal nesse tradicional pingue-pongue versificado: a “Peleja de Danilo Cymrot com Glauco Mattoso” (2005) e o“Epistolário escatológico de Leo Pinto” (2007) são resultado do diálogo internáutico que Mattoso manteve com dois de seus alunos numa oficina poética. Na “Peleja”, as décimas se pautam pela “deixa”, praxe popularizada pelos cordelistas e cantadores. Já o “Epistolário”, composto de sonetos, foge ao costume nordestino para remontar aos jogos barrocos e arcádicos, ainda que contextualizado na pós-modernidade.


Confira o Soneto do Pistolão

SONETO DO PISTOLÃO (#32)

O cara é do partido governista
e em tudo uma influência ele trafica.
Praquele gabinete alguém me indica
e brilha seu olhinho, mal me avista!
Percebo que emplaquei outra conquista:
me trata friamente, até que fica

difícil disfarçar que minha pica deseja,
mas eu quero que ele insista!

Não tarda, estou sentado à sua mesa,

vestindo terno, e apóio os pés cruzados
no braço da poltrona, de surpresa!
Só falta ele os sapatos engraxados

lamber até lustrar!
A rola tesa
divide seu olhar
com meus solados!


LANÇAMENTOS DA
Annablume, Dix Editorial

sábado, 4 de outubro de 2008

Revista Bagoas



A revista Bagoas é uma publicação semestral do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A revista publica artigos resultantes de estudos teóricos e pesquisas empíricas sobre gênero, sexualidade, homossexualidade, destacando espaço para os estudos gays, nomeadamente as reflexões sobre o homoerotismo, lesbianismo, transgêneros, conjugalidades e parentalidades homossexuais, identidades GLBTT. Publica igualmente trabalhos de teoria social, análises da política e reflexões sobre direitos humanos que constituam contribuições ao pensamento crítico sobre as temáticas centrais da proposta editorial. Uma seção é dedicada a resenhas.

Hoje, a pesquisa e a abordagem dos temas da sexualidade, gênero e, em particular, da homossexualidade, por intelectuais universitários e pesquisadores acadêmicos, constituem uma realidade em diversas universidades e em diversos países. Todavia, a inexistência de revistas acadêmicas específicas que sejam espaços para a publicação dos trabalhos resultantes de seus estudos é igualmente uma realidade sentida por muitos. A pretensão da revista Bagoas é ser um espaço para a publicação do resultado dos trabalhos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, ocupados com o estudo dos temas mencionados, de maneira a tornar-se um espaço de conhecimento e discussão sobre questões que, embora conservem o tratamento conceitual e intelectual, extrapolam o mero interesse acadêmico.

No título, é homenageada a figura de Bagoas, eunuco persa, dançarino, que pertenceu à corte de Dario III e, posteriormente, à corte de Alexandre Magno. Bagoas (ou Bagoi no idioma persa antigo) viveu no século 4, acredita-se que faleceu no ano de 336. Descrito como dono de uma beleza incomparável e exímio dançarino, andrógino, foi um dos cortesãos e amantes preferidos de Alexandre, o Grande. Segundo John Boswell, em seu Cristianismo, tolerância y homosexualidad, para Alexandre Magno, Bagoas “foi indiscutivelmente o centro erótico de sua vida”. Para historiadores, ele igualmente teria influenciado de maneira importante o modo como Alexandre se relacionou com os povos conquistados, integrando-os ao seu império.

Nessa homenagem, Bagoas representa a tradição homoerótica das culturas da Antiguidade, portanto, uma realidade afastada da tradição moderna ocidental que baniu a homossexualidade para o campo das práticas estigmatizadas pelos discursos médico, jurídico e religioso. Bagoas é igualmente a figura da androginia, das possibilidades de gênero, da pluralidade do desejo, das multiplicidades do ser. Ele exprime a idéia que funda a revista: homens e mulheres, como seres culturais e de desejo e imaginação, podem ser diversos, podem viver de muitas maneiras, podem criar multiplicados estilos e modos de vida. Contra os fundamentalismos e os colonialismos ainda existentes, Bagoas representa igualmente uma imagem pela integração dos povos, integração das culturas. Homenagem às mestiçagens de gentes, idéias, desejos. Um posicionamento pelo fim das fronteiras, pela abertura à migração de pessoas por seus desejos, projetos, sonhos.

ARTIGOS


1. Proibições, abolições e a imaginação de políticas inclusivas para o trabalho sexual
Fernando Bessa Ribeiro

2. Homosexualidad y cristianismo en tensión: la percepción de los homosexuales a través de los documentos oficiales de la Iglesia Católica
Juan Cornejo Espejo

3. A invenção da homossexualidade
Paulo Roberto Ceccarelli

4. Investigação epistemológica das homossexualidades masculinas em Freud: uma perspectiva lewino-bruniana
Ricardo Lincoln Laranjeira Barrocas

5. Antropologia e sexualidade: por um descentramento da enunciação científica
Alexandre Câmara Vale

6. Epifanias da homoafetividade ou o choque anafilático sofrido por Anthony Giddens ao ingerir Caio Fernando de Abreu
Durval Muniz de Albuquerque Junior

7. Aquenda a metodologia! Uma proposta a partir da análise de Avental todo sujo de ovo
Leandro Colling

8. Do altar para as ruas: luta, resistência e construção identitária de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros
Astor Vieira Júnior

9. As diferenças e os "diferentes" na construção da cidadania gay: dilemas para o debate sobre os novos sujeitos de direito
Murilo Peixoto de Mota

10. Identidade e sociabilidade em comunidades virtuais gays
Gisele Marchiori Nussbaumer

11. Realidade e ficção na transvaloração filosófica: vontade de poder e a afirmação da existência
Joana Brito de Lima

um lançamento

@s outr@s cariocas


AS OUTRAS CARIOCAS: INTERPELAÇÕES, EXPERIÊNCIAS E IDENTIDADES HOMOERÓTICAS NO RIO DE JANEIRO - SECULOS XVII AO XX COLEÇÃO: ORIGEM de Carlos Figari

A obra traça uma genealogia do homoerotismo no Rio de Janeiro, identificando o processo sócio-histórico e de acordo com as condições de produção, a aparição, deslizes e transformações de palavras, expressões, experiências e identidades, e, principalmente, a maneira como se configuram e se articulam as interpretações ideológicas que lhes dão sentido.

Para isso, Carlos Figari se vale de uma ampla bibliografia da sociologia e de outras disciplinas, especialmente a antropologia, a psiquiatria e a filosofia, no intuito de obter categorias explicativas e pormenorizadas da realidade (seu recorte empírico). Sobre esta base, elabora generalizações teóricas como contribuição ao estudo de uma sociologia crítica do comportameto sexual.

Editora: UFMG

Imagens veladas: aids, imprensa e linguagem


Imagens veladas: aids, imprensa e linguagem
de Rosana de Lima Soares

208 páginas

Este livro apresenta, a partir das ciências da linguagem, as construções narrativas e discursivas sobre Aids em matérias publicadas no jornal Folha de S. Paulo entre 1994 e 1995. O jornal, ao usar diferentes estratégias narrativas e enunciativas sobre a Aids, apresenta um discurso com a mesma estrutura das narrativas clássicas - a ação de um sujeito em busca de redenção. Muito distante, portanto, da objetividade, neutralidade e distanciamento pretendidos pelo fazer jornalístico.

Apresentação Jeanne Marie Machado de Freitas

Um lançamento
Selo Universidade
ANNA BLUME

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Faz duas semanas que meu amor



Faz duas semanas que meu amor
E outros contos para mulheres
de Ana Paula El-Jaick

90 páginas
Prosa direta, redonda, envolvente, permeada de inteligência e bom humor. Assim se define este livro de Ana Paula El-Jaick. Em contos curtos e irreverentes, a autora fala do cotidiano de mulheres que amam, desiludem-se, enfrentam preconceito, descobrem-se, camuflam-se, divertem-se, transmutam-se. Leitura cativante.

Um lançamento da

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Rupturas Possíveis: a série Os Assumidos (Queer as folk)

Rupturas Possíveis:
a série Os Assumidos
(Queer as folk)

Rupturas Possíveis: representação e cotidiano na série Os Assumidos (Queer as folk)
de Sofia Zanforlin

198 páginas

Apresentação Tânia Montoro


O livro percorre os 22 episódios da primeira temporada da série de TV Os Assumidos (Queer as folk) e realiza uma análise crítica das temáticas abordadas pelo seriado. As representações são questionadas para responder à pergunta: a visibilidade conferida pela TV pode representar o caminho para uma convivência e respeito às diferenças, ou, ao contrário, reafirma e cria novos estereótipos?



Queer as Folk é o nome de duas séries televisivas dramáticas de sucesso, criados por Russell T. Davies. O nome do seriado é uma brincadeira com um ditado inglês, de "ninguém é tão estranho como nós" ("nobody is so weird as folk"), para "ninguém é tão gay como nós" ("nobody is so queer as folk").

A série original começou a ser produzido em 1999 pelo Red Production Company para o canal aberto Canal 4 do Reino Unido. Contava os conflitos diários de três homens gays vivendo em Manchester.

O seriado adaptado foi uma co-produção Estados Unidos–Canadá e começou a ser transmitido em 2000 nos seguintes canais de televisão a cabo: Showtime (EUA) e Showcase (Canadá). Contava a história de cinco homens gays e uma casal de lésbicas que viviam em Pittsburgh, Pennsylvania.

Houve algumas diferenças óbvias entre os dois seriados: primeiro na quantidade de personagens e tramas principais, segundo nas cenas de nudez (devido ao fato de que o segundo era transmitido em canais de televisão a cabo, e o primeiro não).


" Este seriado é um marco na luta dos direitos GLBT, pois investe em uma trama sem cunho pornográfico ou apelativo, mostrando homossexuais como pessoas normais, vivendo o seu dia-a-dia. As dificuldades e conquistas desta comunidade são brilhantemente retratadas neste seriado. "

O LIVRO É UM LANÇAMENTO DA
ANNABLUME

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Lançamento do livro "Invenções de Si em História de Amor: Lota & Bishop"

O lançamento do livro "Invenções de Si em História de Amor: Lota & Bishop", de Nadia Nogueira será realizado em Campinas – SP, na Livraria Cultura, no dia 03/10/2008 e no Rio de Janeiro – RJ, na Livraria Argumento, no dia 09/10/2008, em Copacabana.

No Lançamento do Rio de Janeiro haverá um debate sobre "Lota e Elizabeth: a reinvenção de si".
sendo os debatedores:

Paulo Henriques Britto, tradutor de Elizabeth Bishop, Nadia Nogueira, autora do livro e um representante do Grupo Arco Íris e da Parada Gay para falar sobre a “Parada do Orgulho GLBT-Rio 2008, que será realizada no dia 12 de outubro e a importância do livro para a visibilidade lésbica.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

INVENÇÕES DE SI EM HISTÓRIAS DE AMOR


INVENÇÕES DE SI EM HISTÓRIAS DE AMOR

Lota Macedo Soares e Elizabeth Bishop

de NADIA NOGUEIRA

Páginas - 264

"Em seu livro demolidor sobre a cultura histórica do século XIX, mas nem por isso limitado àquele tempo, Nietzsche apresentou três motivações vitais básicas da busca pelo passado: o sentido do monumental, da grandeza dos fundadores; o apelo do antiquário, a sedução das ruínas; e o desejo crítico, a tentação de ser juiz. Destas três atitudes, a crítica é sem dúvida a que mais demarca uma ética profissional para os historiadores da atualidade. Ser historiador, acredita-se, é adotar uma visão crítica sobre o passado, denunciar as mazelas humanas, e neste mesmo passo erguer-se como voz solitária da justiça, num mundo dominado pela sordidez. Acontece que, freqüentemente, o senso crítico é entendido como algo alheio à atividade crítica, reflexiva, e o historiador se torna um porta-voz entristecido do ressentimento, anunciando aos tempos futuros as derrotas desde sempre necessárias, e muito humanas.

Começo esta resenha por este caminho porque o livro de Nadia Nogueira fere a sensibilidade ressentida do historiador profissional, e por isso, dentre outras coisas, merece ser lido com atenção. Trata-se de um trabalho sobre a felicidade, uma história de amor, e uma história de amor entre duas mulheres. Ou seja: a cada passo um desafio, ao mesmo tempo intelectual e afetivo. Encontrar as palavras certas, o modo de falar sobre o encontro entre Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares no Rio de Janeiro nos anos 1950 e 1960, enfrentando (e não evitando) as questões delicadas referentes ao amontoado de clichês que recobrem os “anos dourados”, ao exotismo presente na visão da poeta lírica norte-americana sobre os trópicos, às aproximações entre Lota e figuras de inegável autoritarismo político (o impagável Carlos Lacerda). E, claro, o intrincado problema do dinheiro, de uma felicidade comprada pelo preço de um refúgio, a casa em constante construção enquanto as duas viviam seu breve e intenso momento de alegria.

Depois de ler o livro podemos nos perguntar se dinheiro compra felicidade, esta questão aparentemente tão fútil, porque formulada nos termos de uma lição de moral que nos ensina que, pelo contrário, só há virtude na pobreza. Mas, no que se refere à felicidade, é preciso reconhecer que talvez o dinheiro ajude, principalmente se você precisar de um espaço próprio para viver o seu amor meio clandestino, ou se tiver que temperar a repulsa sentida pela família tradicional com algum tipo de aceitação social. Mas, como falar sobre isso sendo historiador? Como encarar os obstáculos estabelecidos por uma tradição que optou pela idealização da pobreza (em livros e teses, é claro)? É mesmo difícil admitir que, especialmente em casos como o da história de amor entre Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares, a felicidade é um privilégio. O grande interesse do livro de Nadia Nogueira é que nele questões como estas são explicitadas. Sentimos a dificuldade da elaboração da escrita do livro, acompanhando o trabalho de reflexão da autora.

Porém, no caso do livro, de que felicidade se trata? Certamente não a felicidade utilitarista, baseada na busca do conforto, da estabilidade de condomínio fechado, do cálculo amedrontado dos prazeres e das dores. Nadia Nogueira procura, em seu livro, a felicidade daqueles que fazem as coisas por inteiro, que conseguem, mesmo que por ALGUNS momentos, viver na potencialidade criadora do ser. Neste aspecto, o sentido trágico da história fica mesmo por conta de Lota, porque sua opção criadora a levou, inevitavelmente, ao encontro com a megalomania do poder, com o desejo de fazer da cidade um desdobramento de seu idílio pessoal, na mistura de jardim e praça pública que perfaria os seus projetos para o aterro do Flamengo. Projeto que, literalmente, a consumiu, segundo a análise de Nadia Nogueira.

A felicidade, neste sentido de plenitude, só poderia ser mesmo fugaz. Porque o refúgio da privacidade estava próximo demais da reclusão, do aprisionamento. Porque o amor não basta, além dele precisamos dos amigos, da cidade, da república. A ambigüidade do refúgio como prisão é paralela à da aceitação social do amor entre duas mulheres, uma vez que, em se tratando de duas artistas, e uma delas milionária, certas “excentricidades” seriam mais ou menos esperadas. Ambigüidade do Rio de Janeiro como sonho de um Brasil feliz, moderno e tropical, marcado pelo auto-exotismo, pela alegria turística. No sentido pleno do termo, a felicidade compartilhada por Lota e Bishop era utópica. Mas nem por isso inocente.

A leitura do livro de Nadia Nogueira inspira questões como estas. Ele foi elaborado como a história de um encontro, quase aquele “amor à última vista” de que falava Walter Benjamin. A autora nos conduz ao momento em que Bishop e Lota se encontraram, buscando entender por que este encontro foi tão marcante para as duas, tão criativo. O fim da história é melancólico, mas o livro não flerta com a facilidade das lamentações. Além disso, existem as aproximações teóricas, as questões de gênero (mais especificamente, o difícil limite entre o privado, o íntimo e o político), mas tudo tratado com leveza pela autora, uma vez que neste, como em todos os bons livros de história, a teoria está imersa na narrativa. "



Daniel Faria
Prof. Dr. em História na Universidade Federal de Uberlândia.


UM LANÇAMENTO DA

APICURI

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Duas vidas: Gertrude e Alice


de  

Janet Malcolm


Editora Paz e Terra 
2008 
1ª edição 
216 Páginas 


QUEM É
a autora

Janet Malcom, jornalista americana da revista The New Yorker e autora de renomadas e polêmicas biografias, como o livro O jornalista e o assassino que faz uma reflexão sobre a complicada relação entre o jornalista e sua fonte, examina, com rigor de detalhes, a tumultuada vida do casal Gertrude Stein e Alice B. Toklas, que viveram na França e ali presenciaram a efervescência do Movimento Modernista. Durante a Segunda Guerra Mundial, ao lado de Picasso, Ernest Hemingway e outros artistas, Stein e Toklas permaneceram na França mesmo depois de as deportações já terem começado.



Gertrude Stein (nasceu dia 3 de fevereiro de 1874, em Pittsburgh, EUA - faleceu dia 27 de julho de 1946, em Paris, França). Foi uma escritora, poeta.

Tinha um apreciável círculo 
de amigos, como Pablo Picasso, Matisse, Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picábia, Ezra Pound e James Joyce, isso apenas pra citar alguns.

Miss Stein escreveu "Autobiografia de Alice B. Toklas", livro fundamental da vanguarda dos anos 1910, 20 e 30. Com estilo muito próprio, a narrativa conta como jovens artistas e escritores vindos das mais diversas partes do mundo se encontram em Paris e detonam novos caminhos p
ara a arte. Picasso vinha da Catalunha, Joyce da Irlanda, ela própria vinha da América, Nijinski era russo, havia vários franceses, como Cocteau, Apollinaire, Matisse. É bom lembrar que, apesar do nome, o livro foi escrito por Miss Stein, tendo como porta-voz Alice B. Toklas, sua companheira durante vinte e cinco anos. Compondo um interessante painel das três primeiras décadas deste século: "Gertrude Stein e o irmão visitavam frequentemente os Matisse que constantemente retribuíam as visitas. De vez em quando Madame Matisse convidava-os para almoçar, o que acontecia principalmente quando recebia alguma lebre de presente. Lebre estufada feita po
r Madame Matisse à moda de Perpignan era algo fora do comum. Tinha também vinho de primeira, um pouco pesado, mas excelente". Durante esse tempo Miss Stein e sua companheira Alice viveram no número 27, rue de Fleurus. Este endereço se tornaria lendário e um importante ponto de encontro desses "gênios".

Gertrude Stein seria a primeira a pendurar em sua parede pinturas de Juan Gris, Matisse e Picasso. Mais tarde romperia com muitos deles, inclusive com Picasso, por quem manteve grande afeição. Antes porém, posaria noventa e três vezes para que o artista catalão
 desse por finalizado o seu retrato: "Mas em nada se parece comigo, Pablo" disse ela. "Mas certamente vai parecer ,Gertrude, certamente..." respondeu o pintor. O rompimento dos dois se daria apenas em 1927, por ocasião da morte de Juan Gris. Gertrude acusou Picasso de não ter estimado Gris o bastante, ele retrucou e os dois tiveram um belo e histórica discussão.

Stein adorava fazer provocações. A palavra gênio exercia mesmo uma influência considerável em sua vida. Afinal era uma escritora de estilo bastante peculiar e engenhoso, a inventora da escrita automática. Assim os intelectuais de seu tempo perguntavam se ela era mesmo gênio ou não passava de uma impostora. Ela dava o troco:"Ser gênio exige um tempo medonho, indo de um lugar a outro sem nada fazer", ou então:" um gênio é um gênio, mesmo quando nada faz".
Com a Primeira Guerra Mundial Miss Stein e Alice viveram sua aventura alistando-se no F.A.F.F, um Fundo de proteção aos americanos que então viviam na Europa, dando folga a seus embates artísticos e literários, a aventura é narrada na Autobiografia. Após a guerra a vida voltou ao normal mas tudo já estava transformado para sempre, inclusive e principalmente Paris...


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Imagens & Diversidade Sexual
























ESTUDOS DA HOMOCULTURA

Neste livro  você irá encontrar uma seleção de textos dos temas apresentados nas edições de 2002 e 2004 dos Congressos Bianuais da ABEH.
Organizado por Denilson Lopes, Berenice Bento, Sergio Aboud e Wilton Garcia essa publicação da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura propoem discussões de temas como Ativismos, Estudos Lésbicos e Feministas no Brasil e ainda Poesia, Cinema e Mídia, entre dezenas de outros.

Uma excelente fonte para se conhecer o pensamento GLS brasileiro

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Olhares de Claudia Wonder




Crônicas e outras histórias

de Claudia Wonder

184 páginas


Pois sim. Quem já viu sua força no palco pode entender essa sua garra em ser mais que performática. Para entende-la, decifre ou ...devore.



Claudia Wonder nasceu Marco Antonio Abrão, em São Paulo, e foi descoberta na adolescência. O livro da multimídia Claudia Wonder reúne textos, crônicas e histórias publicados na mídia nacional. A compilação apresenta o multifacetado e fino olhar da atriz, cantora, militante, colunista e diva-trans-cult, revelando a sofisticada diversidade criativa e criadora de uma leitura de mundo sui generis e inédita no mercado editorial brasileiro. Ainda na adolescência, começou a freqüentar a noite e a se inserir no contexto transgênero, sendo contenporânea dos grandes nomes do travestismo paulistano, como Andréia de Maio, Thelma Lipp, Brenda Lee, entre outras.

Começou sua carreira artística fazendo shows em boates e logo estreou no teatro e no cinema. Ainda adolescente contracenou com grandes nomes nacionais, entre eles, Tarcísio Meira e Raul Cortez.

Nos anos de 1980 descobriu sua veia musical e estreou como letrista e vocalista da banda de Rock Jardins das Delícias com o show O Vomito do Mito no lendário clube paulistano Madame Satã. Depois formou a banda Truque Sujo e sempre obteve sucesso junto a critica musical e o público. No final da década de 80 mudou-se para a Europa e lá ficou durante onze anos, onde trabalhou em shows e depois como empresária na área da estética. Claudia Wonder também é formada como cabeleireira e maquiadora.

De volta ao Brasil retomou a carreira artística, participou de duas coletâneas musicais em CD : Melopéia do selo Rotten. Sonetos do poeta Glauco Mattoso musicados por vários artistas, entre eles, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção. Para esse trabalho Claudia musicou o "Soneto Virtual" onde faz dueto com seu amigo, o cantor Edson Cordeiro.

Participou da primeira coletânea de electro nacional no CD Body Rapture, do selo Lua Music com a música Toníca do Haligalle e em setembro de 2007 lançou seu primeiro Cd solo FunkyDiscoFashion também pela Lua Music.





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UM LANÇAMENTO DA

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Armário sem Portas


de Karla Lima e Pya Pêra

páginas - 260

Pois bem, muito diferente da literatura mulherzinha, algo entre o corajoso, compromissado, leve e verdadeiro. A história real do relacionamento de Karla e Pya. Ao final do livro você deverá se sentir intimo desse casal que chegou à conclusão de que "jogar confete entope o ralo!" Boa leitura!

"Amor e humor para Gs, Ls e Ss

Armário sem Portas é um livro a um só tempo particular e universal. Particular por escancarar a vida das autoras, as homossexuais Karla Lima e Pya Pêra, e universal pelo que contém de humor e sensibilidade.

Em seu livro de estréia, o casal passa longe da auto-ajuda e dos romances trágicos, estilos abundantes no mercado editorial GLS brasileiro. Embora alguns capítulos abordem temas mais engajados como visibilidade, política e preconceito, o foco desta autobiografia é a comicidade.

Crônicas curtas e leves despertam o riso fácil em leitores de qualquer orientação sexual, graças às diferenças que Karla e Pya têm de história de vida, gostos e temperamento: enquanto uma descende de alemães, teve um marido, mede mais de 1,70m e faz o estilo intelectualizado, sem nenhum pendor esportivo, a outra é japonesinha, gay desde bebê, uma ex-atleta que adora samba e escolhe o celular conforme a capacidade da agenda de telefones!

Despretensioso e concebido originalmente para divertir as próprias autoras, Armário sem Portas provoca reflexão sem agredir o mundo e simpatia sem vitimizar os homossexuais. Uma obra irreverente e ágil, indicada não apenas para a comunidade GLS, mas para todos que apreciam dar boas risadas com um delicioso livro de lavabo.

Karla Lima nasceu em 1971, foi publicitária e estuda Jornalismo. Sonhava escrever um livro desde os 15 anos. Pya Pêra, empresária, consultora, musicista e fotógrafa, nunca tinha pensado nisso."


Em Curitiba você encontra Armário sem portas no JOAQUIM

Pelo Brasil ou para compra direta consulte www.armariosemportas.com.br

DUAS IGUAIS


de Cintia Moscovich

Gênero : Ficção Brasileira - Romance
Páginas : 256

DUAS IGUAIS é um romance corajoso, que tematiza o amor homossexual sem recorrer a engajamentos ou a um manual de bons modos. Assim como o amor, o romance entre Clara e Ana é natural, espontâneo. Mas vai além. Situando o caso no contexto da comunidade judaica de Porto Alegre, Cíntia Moscovich revela um choque cultural, além do emocional. Enquanto Ana auto-exila-se em Paris, Clara penetra, pouco a pouco, nos umbrais do mundo adulto, complexo e sutil.


Recomendamos este Lançamento da Editora Record

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A aranha punk



de Glauco Mattoso
111 páginas


A série "Mattosiana" reorganiza a obra poética e ficcionista de GM, publicando os sonetos e contos inéditos, em volumes temáticos, e reeditanto, paulatinamente, os títulos esgotados.

Neste segundo volume, Mattoso inclui quatro ciclos de sonetos, os dois primeiros dedicados, respectivamente, às espécies aracnídeas (ou equivalentes, em termos de fobia) e ao gênero punk, e os dois últimos introduzindo personagens humanos e humanóides, como a gorda e o rato, este em homenagem a Fernando Gonsales, criador do Níquel Náusea.

Confira o Soneto das espécies peçonhentas

Está Belo Horizonte, ao que me diz
o amigo afeito às letras, infestada
demais de escorpiões, e não é nada
ameno o que contava-me, infeliz:

"Livrei-me, caro Glauco, por um triz
da aguda e venenosa ferroada!
À noite, ao me deitar, dei uma olhada

na cama, e acreditar quase não quis!"
"Debaixo do meu fofo travesseiro
estava o agigantado e repelente
espécime! Tremeu-me o corpo inteiro!"

"Matei-o, mas não durmo mais!" Que aumente
um ponto ao conto o douto autor mineiro,
mas mesmo uma aranhinha assusta a gente...

Glauco Mattoso, paulistano de 1951, é um dos mais radicais representantes da ficção erótica e da poesia fescenina em língua portuguesa, descendente direto de Gregório, Bocage e, em prosa, de Sade e Masoch.

Poesia gay underground: história e glória


de Hugo Guimarães
103 páginas


"Poesia gay underground é um antídoto contra a chatice que a vida gay se tornou nas últimas décadas. Hugo Guimarães foge da massificação e cria poemas seminais, mostrando as vísceras sem medo de se infectar com as doenças da (pós) modernidade. Em seu universo, a dor é uma forma de esperança e a desilusão, um dos caminhos para a felicidade. Nos poemas deste livro, a vida jorra com seus cheiros e sujeiras. São versos de resistência contra o pensamento dominante, contra os gays assépticos da novelas de televisão, contra a infelicidade disfarçada de euforia das casas noturnas. Além do Édipo, o autor escancara sua vida doméstica, seu corpo, seus garotos ao contrário, drenados ou petrificados. Pinta com tinta de caneta e sangue o mundo desbotado ao qual estaria condenado caso não escrevesse. Mas, felizmente, ele escreve."

texto de divulgação - Fernando Martins



Confira o poema Morte – Quarta Feira 30

A maior viagem da vida
É a morte
Eu ainda quero mais morrer
Do que foder todos aqueles garotos
Mais do que ser uma estrela morta.

Viajando pela cidade da morte
Ônibus espacial e lua fundidos
Yeah – querer morrer
É querer viver
E eu estou cansado de você.

Hugo Rodrigo Guimarães é poeta e colecionador de filmes de terror.

Record lança setimo título de João Gilberto Noll


IMPERDÍVEL


ACENOS E AFAGOS
de João Gilberto Noll
Ficção Brasileira - Romance
Páginas - 208


A história de um homem que abandona uma vida monótona para buscar sua verdadeira identidade e suas paixões - uma epopéia libidinal, como define, em certo momento, divertidamente, o personagem-narrador.

"Parei no cais, boquiaberto. O meu amigo engenheiro, a meu lado, me apresentava aquele brinquedo de tamanho natural. Pensei em crescer para estar apto a uma aventura. Até lembrar que eu já estava adulto, e havia alguns anos. Desde a adolescência, o meu amigo engenheiro, mesmo com suas reticências de praxe, me aplicava admirações inaugurais a cada dia. O certo é que nós dois já éramos adultos. E estamos hoje lado a lado, nesse porto quase fantasma da cidade de Porto Alegre. No cais, o lombo de um submarino alemão. Ele assoviou grave e possante e de dentro da carcaça escura, certamente de uma portinhola horizontal, surgiu a cabeça de um sujeito barbudo, um tanto grisalho. O meu amigo engenheiro contou que o cara era alemão, nascido e criado na mesma região de meus ancestrais, que ia ver logo de quem se tratava. Nunca soubera disso, mas o engenheiro parecia falar alemão. O imponente bicho aquático chegou-se para mais perto, e o alemão barbudo nos convidou a entrar."

Lançamento da editora Record