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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eve Kosofsky Sedgwick


Between Men: English Literature and Male Homosocial Desire
de Eve Kosofsky Sedgwick




Este é um livro fundamental para a teoria queer, e discute que o desenvolvimento social muito mais dependeu do desejo homosocial masculino do que de outra coisa. Esta é uma obra de crítica literária que talvez possa parecer inacessível ao público geral, porém é sem dúvida uma das obras fundamentais para a sua biblioteca, escrita por uma das mais provocadoras figuras culturais de nossa geração.





Epistemology of the Closet

de Eve Kosofsky Sedgwick



Desde a década de 1980, os estudos da teoria sobre o queer tornaram-se vitais para a vida intelectual. Este tem sido o principal motivo popularidade dos livros de Eve Kosofsky Sedgwick. Trabalhando a partir de textos clássicos de escritores europeus e americanos - incluindo Herman Melville, Henry James, Marcel Proust, e Oscar Wilde - Sedgwick delineia um momento histórico em que a identidade sexual se tornou tão importante como a demarcação de gênero tinha sido, durante séculos.
Epistemology of the Closet é um livro importante. É um dos textos fundamentais da teoria queer e, como tal, é um livro desafiador para ler . É essencialmente para um público acadêmico. Mas, todo intelectual que está interessado em estudos gays e lésbicos, enfim, de estudos queer, estudos de gênero e feminismo, deve coloca-lo na lista de livros essenciais para ler. O enfoque na maior parte do tempo é sobre homossexualidade masculina .

terça-feira, 14 de outubro de 2008

QUEER THEORY




QUEER THEORY
And Introcuction
de Annamarie Jagose


156 páginas

NEW YORK UNIVERSITY PRESS


Teoria queer é um campo do estudo de Gneros. Fortemente influenciada pela obra de Michel Foucault, a teoria queer constrói desafios para a idéia de que sexo é parte do essencial e mediante dos estudos próprios da comunidade gay / lésbica. Considerando gay / lésbica os estudos centrados nas suas investigações "naturais" e "não naturais " de comportamento em relação ao comportamento homossexual, a teoria queer quer sem trocadilho expandir seu foco para abranger qualquer tipo de atividade sexual ou identidade que se enquadra no âmbito de normativos e (sic) desviantes categorias.

Annamarie Jagose (nascido em Ashburton, Nova Zelândia, 1965) é uma escritora acadêmica e obras de ficção. Ela ganhou o seu doutorado (Victoria University of Wellington), em 1992, e trabalhou como docente de Inglês na Universidade Melbourne antes de regressar a Nova Zelândia em 2003, onde está atualmente como Professora Associada do Departamento de Cinema, Televisão e Mídia da Universidade de Auckland.

Enquanto estava na Universidade Melbourne, Jagose promoveu uma série de aulas de comportamento a respeito de cultura do corpo, incluindo obesidade e gravidez.

Prêmios

* 1994 won NZSA Best First Book Award for In Translation 1994
* 2004 won Deutz Medal for Fiction in the Montana New Zealand Book Awards for Slow Water Deutz 2004
* 2004 winner of the Vance Palmer Prize for Fiction for Slow Water 2004
* 2004 was shortlisted for the Australian Miles Franklin Literary Award for Slow Water 2004

Obras

* Lesbian Utopics (1994)
* In Translation (1994)
* Queer Theory (1996)
* Lulu: A Romance (1998)
* Slow Water (2003)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sexo, Arte e Cultura Americana de Camille Paglia


Sexo, Arte e Cultura Americana
de Camille Paglia
editora: Companhia das Letras
ano - 1993

O livro “Sexo, Arte e Cultura Americana” é fundamental,e está esgotado há anos, é um caso de desaparecimento precoce. A editora sequer tem em seus registros do site a existência dele. Em Sexo, arte e Cultura Americana estão compilados ensaios, artigos, resenhas de livros e trechos de entrevistas concedidas a diversos veículos de comunicação.Camille Paglia é uma escritura polêmica a escritora que não puca nada e a ninguém e que declara “sou abertamente a favor da prostituição e da pornografia”.

A escritora americana Camille Paglia, 60 anos, é considerada uma das principais teóricas do pós-feminismo e uma das intelectuais mais influentes da atualidade. É professora da Universidade das Artes, na Filadélfia, EUA, colunista do site salon.com e editora da revista Interview. Camille ficou conhecida mundialmente na década de 90 ao lançar o livro Personas sexuais, no qual aborda de forma particular (contrariando as teóricas de sua geração) a mulher e o feminismo do século passado. Freqüentemente apontada como "a feminista que as outras feministas amam odiar".


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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Damas De Paus

Pesquisando sobre Sexualidades, corporalidades e transgêneros, encontrei em diversos trabalhos a citação de um livro de 1994, publicado pelo Centro Editorial e Didatico da UFBA.

Damas De Paus:
O Jogo Aberto Dos Travestis No Espelho Da Mulher
de Neuza Maria de Oliveira
158 páginas

Este é um livro que apesar de datado, deve ser incluido na Biblioteca Básica, pelo pioneirismo e pela dedicação da autora à pesquisa de campo. Óbviamente que os diálogos e depoimentos alí contidos, após 14 anos não afinam com os que estamos acostumados a ouvir hoje em dia, mas o fato de desnudar o Pelourinho sem preocupar-se em buscar "personagens" faz dele um livro verdadeiramente honesto. Afinal quem poderia pensar naquele tempo ouvir tais apartes...

“Aos cinco anos, quando eu dava pro coleguinha da
escola, me disseram que eu era gay. Aos quinze anos descobri
que eu era travesti, e hoje, perto dos quarenta, participando do
movimento GLTTB, me vejo como trans. Na verdade, eu sou
um gay que evoluiu, eu sou um digimon”.
Hanna Suzart, travesti durante o XII Encontro
Brasileiro de Gays, Lésbicas e Travestis, acontecido em
Brasília, entre os dias 08 e 11/11/2005.

“Eu quero dizer pra Hanna que eu não sou um digimon, eu
não sou um brinquedo. Nem sou um gay que evoluiu. Sou uma
travesti”.
Janaína Lima, no mesmo encontro

Leia aqui a introdução que Cecilia Sanderberg fez para o livro

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O BANQUETE


O BANQUETE de Platão
tradução direto do grego de Carlos
Alberto Nunes

Estamos falando desta vez de um clássico e muito especialmente desta edição que faz parte de uma segunda edição completa das obras de Platão organizada por Benedito Nunes e estruturada em 1980. São 14 volumes. O Banquete é publicado conjuntamente com a Apologia de Sócrates.


Esta é uma tradução de um dos mais celebrados textos de Platão, onde encontramos os diálogos éticos acerca da natureza e qualificação de Eros, ou o tema do Amor. No Banquete, de que é o tema central, Eros é objeto de vários elogios, mas o elogio propriamente filosófico vem de Sócrates pela boca da mulher de Mantinéia, a sábia Diotima. Assim como em A República, O Banquete tem lugar certo e público identificável: ocorreu na casa de Agatão, discípulo de Sócrates. Lá discursaram sobre o amor, ou sobre a amizade (philia), esses dois, além de Fedro, Pausânias, Erixímaco (o médico) e Aristófanes (o poeta). Sendo assim, ao redigir O Banquete, Platão utilizou-se de personalidades da época como o comediante Aristófanes, o poeta Agatão, o médico Erixímaco, para servir de porta-vozes de seu pensamento, servindo de exemplos para os leitores da obra.

O que realmente se passou na casa de Agatão começa a ser relatado por Apolodoro em 174a. Sócrates chega por último, quando todos já estavam acomodados e o banquete já havia se iniciado, estando pelo meio. Frente ao banquete, Pausânias lembra que deveriam beber com moderação: faz referência ao dia anterior, no qual havia bebido exageradamente e ficado abalado fisicamente.

Os discursos sobre o amor iniciam com Fedro: "iniciou o seu discurso [Fedro] declarando que Eros era uma divindade poderosa e admirável, tanto entre os homens como entre os deuses, por várias razões, mas, antes de tudo, pelo nascimento." Fedro é o primeiro, e por isso pai do discurso, a falar sobre o deus Eros: ele condena o ofício dos poetas que têm por missão cantar hinos aos deuses mas se esquecem de Eros. Fedro, no seu discurso, faz a justificação moral de Eros, mas não investiga a fundo sua essência e suas formas. De qualquer forma, é devido à fala desse discípulo de Sócrates que toda a discussão se inicia. Com o intuito de elevar Eros, Fedro encerra seu discurso dizendo que esse é o deus mais antigo, mais respeitável e o mais "autorizado" a levar o homem à posse das virtudes e da felicidade, nesta vida e depois da morte!

Escrito aproximadamente antes de 384 a. C, O Banquete é constituído por sete discursos em louvor a Eros, deus do amor, antecedidos pela apresentação dos personagens e finalizados pelo discurso de Sócrates, que conclui o simpósio. O diálogo se encerra quando Alcebíades, estratego do exército ateniense, fingindo estar bebado, faz uma declaração de amor a Sócrates.

E.Cruz

Uma publicação da
Editora Universitária UFPA






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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

GUERRA DE ESPERMA




GUERRA DE ESPERMA
de Robin Baker

Coleção - CONTRALUZ
Páginas - 406

Tratando de temas polêmicos como infidelidade, homossexualismo e reprodução, o dr. Robin Baker escreveu Guerra de esperma, livro no qual defende que o nosso comportamento sexual é geneticamente programado. O autor mostra ainda que há outros fatores, além da herança genética do pai e da mãe, que influem na concepção, como, por exemplo, se a mãe chegou ao orgasmo durante a fecundação, se os pais se masturbaram momentos antes ou se havia no corpo da mãe espermatozóides de outros homens. Robin Baker leciona Zoologia na Universidade de Manchester e desde 1988 vem fazendo pesquisas sobre a competição do esperma humano e suas implicações na sexualidade.

Robin Baker é um  zoólogo inglês de 57 anos, Ph.D. em evolução do comportamento humano e professor aposentado da Universidade de Manchester. Segundo ele, “Estamos vivendo uma transição que vai acabar com 2 mil anos de monogamia cristã. Biologicamente, homens e mulheres ficam juntos para tornar viável a criação de filhos, reduzir as possibilidades de contrair doenças sexualmente transmissíveis e, no caso dos homens – a exemplo de outros animais –, ter um controle maior da fêmea, para que ela não gere filhos de outro macho”.

domingo, 28 de setembro de 2008

O negócio do michê: A prostituição viril em São Paulo



O negócio do michê: A prostituição viril em São Paulo

de NESTOR PERLONGHER

Editora: Fundação Perseu Abramo

Páginas - 272


Este livro estava esgotado e agora está sendo relançado. Imperdível!


O livro O Negócio do Michê – A Prostituição Viril em São Paulo, do antropólogo argentino Néstor Perlongher, será lançado em nova edição, com novo prefácio

Referência fundamental para os estudiosos de sexualidade e gênero, tanto pela originalidade do tema, quanto pelas análises, O Negócio do Michê – A Prostituição Viril em São Paulo, surgiu como dissertação de mestrado em antropologia social na Unicamp, em 1986. Na época, 1986, o autor, o argentino Néstor Perlongher, enfrentou o descontentamento de parte do meio acadêmico, escandalizada com o tema de sua pesquisa pioneira.

Lançado pela editora Brasiliense um ano depois, com prefácio de Peter Fry, o livro tornou-se um clássico moderno da pesquisa etnográfica. Coube à Editora Fundação Perseu Abramo uma nova edição, com a íntegra do texto original e um novo prefácio, desta vez assinado pelos professores de sociologia e ciências sociais Richard Miskolci e Larissa Pelúcio.

O livro, escrito em linguagem não acadêmica, baseou-se nos depoimentos de michês, clientes e entendidos, ou pessoas do universo homossexual não envolvidas diretamente com a prostituição. Entre março de 1982 e janeiro de 1985, Perlongher, num procedimento chamado de pesquisa participante, foi às ruas, bares, saunas e mictórios públicos do centro de São Paulo, onde pôde estar em contato direto com o tema de seu estudo.

Ao mapeamento geográfico/cultural do trabalho do michê, Perlongher acrescentou amplo arsenal teórico, com citações que vão de Marx e a Escola de Chicago, a Foucault, Deleuze e Guattari.Coincidentemente, o livro surgiu em sintonia com outros estudos semelhantes pelo mundo, como o que originou a Teoria Queer, nos Estados Unidos.

Néstor Perlongher nasceu em Avellaneda, província de Buenos Aires, em 1942. Participou ativamente de movimentos pelos direitos dos homossexuais, primeiramente na Frente de Liberación Homosexual Argentina e depois no Grupo Eros. Em 1982, cansado das perseguições pela ditadura em seu país, veio para São Paulo. Logo ingressou na Unicamp, onde realizou a dissertação de mestrado que deu origem ao livro. Autor também de oito elogiados livros de poesia, faleceu em novembro de 1992, vitimado pela Aids.





















Desde sua primeira edição, em 1987, O negócio do michê se tornou uma leitura de referência para aquelas e aqueles que se interessam pelas discussões sobre o desejo, as urbanidades, as sexualidades, as corporalidades e o mercado do sexo. Néstor Perlongher leva as/os leitoras/res aos bares, saunas e ruas de uma São Paulo noturna e apaixonadamente transgressiva, onde rapazes comercializam sexo, amam, brigam, negociam códigos e, por vezes, desejam o indesejável. Construído a partir de uma intensa etnografia e de uma densa análise teórica, O negócio do michê tem hoje a marca dos clássicos e, como tal, guarda uma contemporaneidade surpreendente.

Apresentação:

“Em primeiro lugar, quero frisar que este livro não é apenas mais um estudo frio das margens perversas de São Paulo. Na melhor tradição da antropologia social, o texto exsude a simpatia que o autor tem para com seu 'objeto de estudo'. Não no sentido de uma apologia formal de advogado, mas de uma séria tentativa de 'traduzir' a experiência dessas margens para que o leitor possa entendê-las na sua integridade (em todos os sentidos da palavra).” (Peter Fry)

Peter Fry, ao prefaciar a primeira edição de O negócio do michê – A prostituição viril em São Paulo, traduziu o sentimento futuro de leitores e leitoras que iriam encontrar na dissertação de mestrado de Néstor Perlongher uma rica fonte de reflexões teóricas e um instigante “guia” etnográfico.

Em meados da década de 1980, Perlongher se pôs à deriva numa São Paulo noturna e sexual, cartografando os corpos e os códigos de toda uma territorialidade desprezada pelos cientistas de “respeito”. Alguns se escandalizaram com o título da dissertação que abordava michês, prostituição e virilidade. Os vanguardismos costumam ter a marca da incompreensão e não foi diferente com O negócio do michê.

Perlongher se autodefinia um “pensador callejero” (das ruas), assim, a claustrofobia das normas canônicas não cabiam em sua escrita barroca nem em seu voluptuoso arsenal teórico que vai de Marx à Escola de Chicago e chega a Foucault, Deleuze e Guattari. Sem o saber, desenvolvia reflexões em sintonia com as que – nos Estados Unidos – originariam a teoria queer. Por tudo isso, o estudo de Perlongher mantém-se atual e fascinante.


Serviço:
Lançamentos do livro O Negócio do Michê

Quando: 8/10, às 10:00
Onde: UFSCAR, São Carlos
Presenças do antropólogo Júlio de Assis Simões e da ativista Regina Facchini. Na ocasião eles farão a palestra Sexualidade e Política no Brasil.


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A Personagem Homossexual no Cinema Brasileiro


A Personagem Homossexual no Cinema Brasileiro de Antônio Moreno Editora EdUFF

A Personagem Homossexual no Cinema Brasileiro, de Antônio Moreno, cineasta, pesquisador e professor de Cinema do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF é na verdade um ótimo ponto de partida para compreender de como o nosso cinema trata o homossexualismo. A partir de 127 filmes de 1923 a 1996, o autor levantou as principais marcas que compõem o homossexual imaginado pelo cinema brasileiro.

Segundo ele "o tema homossexualismo era um tabu até o final da década de 60. E só sobressai quando é levada em tom de comédia. Embora se baseie em ficção, eu acho que a visão da sociedade é mostrada no livro".

A obra mostra muitos pontos que contribuem para a intolerância para com os homossexuais. Na análise das histórias narradas nos filmes está contido um universo de elementos para reflexão. A tese de Antonio Moreno transformada em livro pelas editoras UFF e Funarte, “A Personagem Homossexual no Cinema Brasileiro” traz um levantamento que é interrompido em 1996.

Doze anos depois temos muito que contar, porém avaliando a representação dos homossexuais na produção nacional até aquela época a conclusão é um tanto óbvia e em mais de 60% dos filmes analisados, os homossexuais são tratados de forma pejorativa.






















Confira aqui alguns trechos dos filmes citados e/ou analisados no livro

E. Cruz

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MAPPLETHORPE: UMA BIOGRAFIA





MAPPLETHORPE: UMA BIOGRAFIA de Patricia Morrisroe


Coleção CONTRALUZ
Páginas - 434

A Editora Record tem em sua coleção Contraluz a biografia do polêmico fotógrafo Robert Mapplethorpe.

Robert Mapplethorpe, com certeza, foi um dos mais famosos e controvertidos fotógrafos do universo da arte contemporânea. O livro revela através de entrevistas com Mapplethorpe, uma vida ousada como a sua arte. Patricia Morrisroe, a autora, caiu nessa empreitada de paraquedas. A bela jornalista do The New York Times, nada sabia sobre o seu entrevistado quando o viu pela primeira vez. Robert Mapplethorpe (1946-1989), naquela época ainda não era o retratista preferido de ricos e famosos e nem tinha trabalhos avaliados em US$ 100 mil. Seu primeiro e um tanto traumático e aliciante encontro se deu no estúdio nova-iorquino do fotógrafo, em 1983, época em que ele começava a ser conhecido como um cult documentarista do "submundo gay." Patricia foi escolhida pelo próprio para escrever a sua biografia e o resultado é Mapplethorpe, livro assinado por ela, lançado em 1997.

Mapplethorpe ficou conhecido mundialmente por ser um artista de extremos. Ele documentou tanto o reduto sadomasoquista de Nova York da década de 70 como fez retratos de amantes, homens negros pelos quais nutria obsessão, celebridades e elaborou extenso ensaio sobre flores.











Seu foco sempre eram as formas perfeitas, corpos musculosos e as luzes delicadas.

Aqui ele aparece com Patti Smith, sua primeira musa. Esta foto foi feita no Chelsea Hotel, em Nova York, famoso reduto de artistas da década de 70.

















r.galalite

domingo, 21 de setembro de 2008

CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO


CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO
de Luiz Mott
Coleção: CONTRALUZ

Editora - RECORD





O livro - Neste livro de crônicas, parte da Coleção Contraluz, Luiz Mott, o "decano" do movimento gay do Brasil, reconstitui o abrangente painel da homossexualidade. Misturando experiências pessoais com o afinado olhar do antropólogo, do militante e fundador do Grupo Gay da Bahia, o autor desvela hipocrisias, preconceitos e dá uma lição de resistência à sociedade brasileira. Em Crônicas de um Gay Assumido, Mott desvenda mitos e verdades sobre o mundo gay, as tribos sexuais, faz confidências e promove discussões sobre homofobia e homoerotismo com a grife, o humor, a ousadia e a sinceridade de um pioneiro do movimento gay no Brasil.

O autor - Luiz Roberto de Barros Mott (São Paulo, 6 de maio de 1946) é antropólogo, historiador, sociólogo e pesquisador, e um dos mais notáveis ativistas brasileiros em favor dos direitos civis das pessoas de minoria sexual, ou seja, gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transsexuais e transgêneras.

Luiz Mott nasceu em São Paulo, de tradicional família interiorana. Estudou em Seminário Dominicano de Juiz de Fora. Formou-se em Ciências Sociais na USP. Fez mestrado na Sorbonne, em Etnologia e é doutor em Antropologia, pela Unicamp.

Desde o final dos anos 80 radicado em Salvador, cidade que lhe concedeu o título de Cidadão Honorário, leciona na UFBA.

Assumiu suas preferências sexuais em 1977. Luiz Mott foi o fundador do Grupo Gay da Bahia, uma das principais instituições que laboram em prol dos direitos humanos dos gays no Brasil.

Além de muitos trabalhos publicados esparsamente (e traduzidos a outros idiomas), os livros de Luiz Mott são:

* Sexo Proibido;
* O Lesbianismo no Brasil;
* Gays, Virgens e Escravos nas garras da Inquisição;
* Rosa Egípcia: Uma santa africana no Brasil;
* Violação dos Direitos Humanos dos Homossexuais no Brasil;
* Os Pecados da Família na Bahia de todos os Santos;
* A Cena Gay em Salvador em tempos de Aids; Causa-Mortis: Homofobia;
* Escravidão, Homossexualidade e Demonologia.


sábado, 20 de setembro de 2008

ABAIXO DO EQUADOR


ABAIXO DO EQUADOR
de Richard Parker

Coleção CONTRALUZ
Páginas - 384

ABAIXO DO EQUADOR, do antropólogo americano Richard Parker, desvenda as especificidades da homossexualidade dos brasileiros e o crescimento de comunidades gays no país. Por meio de inúmeros depoimentos, o autor investiga a função de papéis sexuais, a prostituição masculina como vivência da sexualidade e as conseqüências da epidemia de AIDS no painel do comportamento brasileiro. Parker desperta questões importantes, que desafiam as idéias pré-concebidas sobre desejo entre iguais.

Richard Parker mostra, em ABAIXO DO EQUADOR, como a velha moralidade do certo e do errado, da culpa, pecado e castigo, foi substituída pela moralidade das relações humanas. A nova moralidade, por outro lado, desafiou diretamente a ética sexual predominante. Proclamou os prazeres do corpo, defendendo como justa toda e qualquer forma de amor. O que interessa é a satisfação física. Desafiou os preconceitos sexuais, defendendo a aceitação democrática da diferença. Assim, a controvérsia do amor homossexual perdeu sua força.

Baseado em uma longa pesquisa de campo - conduzida por Parker durante mais de quinze anos -, ABAIXO DO EQUADOR traça um detalhado painel etnográfico dos múltiplos universos sexuais existentes nas ruas. Prostituição masculina, michês, transformistas, produtos e estabelecimentos direcionados ao público gay, direitos de homossexuais e o programa brasileiro de combate à AIDS. O autor explora as transformações nas identidades sexuais e culturais que tomaram forma no Brasil nas últimas décadas.

Nos primeiros capítulos de ABAIXO DO EQUADOR, Parker esclarece como gênero, raça, o histórico de colonialismo e a influência de outros países - principalmente Estados Unidos e Europa - contribuíram para construir a identidade homossexual brasileira. Nos capítulos subseqüentes, ele mapeia a epidemia de AIDS no país, mostrando como a doença mudou o perfil e o comportamento dos homossexuais brasileiros. Parker fala do preconceito existente contra os portadores do HIV e as conquistas junto ao sistema nacional de saúde.

Através desse trabalho único de pesquisa, Parker compara e contrasta o modo de viver homossexual no Brasil a outros países das Américas do Sul e do Norte, e África. Explica, ainda, porque apenas nos último anos o homossexualismo brasileiro saiu do armário. Parker liga essa mudança a um crescente e contínuo processo de industrialização e urbanização, em conjunto com a globalização da economia. ABAIXO DO EQUADOR desmistifica diversas questões: numa sociedade famosa pelo machismo, o homossexualismo é aceito ou apenas tolerado? A comunidade gay brasileira é unida? Como os homossexuais masculinos se vêem? Como a AIDS afetou a comunidade?

o autor - Richard Parker é professor assistente de Saúde Pública na Divisão de Ciências Médico-Sociais e Psiquiatria da Universidade de Columbia. É, ainda, diretor assistente do Centro de Estudos Comportamentais e Clínicos de HIV do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova York.

Um lançamento da Editora Record

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DEVASSOS NO PARAÍSO -

A HOMOSSEXUALIDADE NO BRASIL, DA COLÔNIA À ATUALIDADE

de João Silvério Trevisan

Páginas - 588
Dentro da coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, a Editora Record lpublicou a nova versão de uma obra fundamental para o estudo da homossexualidade no Brasil. Publicado originalmente em 1986 (a pedido da editora londrina Gay Men's Press) e esgotado há quase uma década, DEVASSOS NO PARAÍSO dobrou de tamanho, para abranger as grandes mudanças ocorridas no Brasil nesse período, fruto, principalmente da disseminação da Aids, ainda incipiente quando o estudo original foi escrito
João Silvério Trevisan investiga a atuação no Brasil, a partir de 1591, do Santo Ofício, preocupada em punir os sodomitas, aborda a formação dos conceitos de pecado e desvio de conduta em relação à homossexualidade e, partindo disso, analisa os esforços de políticos, autoridades policiais, juizes, higienistas e psiquiatras para entender e tentar conter a pederastia nos séculos XIX e XX. E chega até o final deste século, discutindo direitos civis, inserção social de minorias, Aids e intolerância. Trevisan, porém, não se limita a um estudo histórico documental. Ele se vale de instrumentos da antropologia e da psicanálise, disseca a religião, analisa o homoerotismo nas artes e na mídia e revela o cotidiano homossexual, através de diversos depoimentos.
João Silvério Trevisan, paulista de Ribeirão Bonito, 56 anos, é escritor, diretor e roteirista de cinema, tradutor e jornalista. Entre outras obras, escreveu Seis balas em um buraco só (ensaios), Ana em Veneza (romance) Troços e destroços (contos), publicados pela Editora Record. Para teatro escreveu a peça Heliogábalo & Eu. No cinema, Trevisan realizou e dirigiu o curta-metragem Contestação (1969) e o longa Orgia ou o homem que deu cria, além de vários roteiros para outros diretores

"João Silvério Trevisan mantém em Devassos no paraíso, por trás da organização meticulosa, aquele lastro de paixão e ira mais característico da ficção do que da seca teoria. Inquietante, às vezes doloroso e sempre provocativo, Devassos no Paraíso (...) é um livro histórico." - Caio Fernando Abreu, Istoé

"Dois grandes méritos tornam Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan, uma obra pioneira e fundamental: por um lado, organiza os materiais que recriam uma história (perdida) da homossexualidade no Brasil; por outro procede a uma espécie de "micropolítica vivencial" que reconhece (...) as alternativas de uma tensão - ou de um embate - entre o desejo que anima os encontros intermasculinos e a lei (também masculina) que os sufoca ou os vela." - Néstor Perlongher, Folha de S. Paulo

"Uma história da homossexualidade no Brasil e um estudo das posturas sociais através das décadas, Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido." - Peter Burton, Gay Times


O AUTOR
João Silvério Trevisan (Ribeirão Bonito, 23 de junho de 1944) é um escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor, cineasta e ativista GLBT brasileiro.

Fundador do Grupo SOMOS na defesa dos direitos dos homossexuais na década de 1970. Até setembro de 2005 atuava como diretor da oficina literária do SESC. Assina uma coluna mensal na revista G Magazine.

Obras

Cinema, como autor

* Contestação (curta-metragem, 1969)
* Orgia ou o homem que deu cria (longa-metragem, 1971)

Cinema, participação técnica

* Assistente de direção no média-metragem Liberdade de Imprensa (1967)
* Responsável pela trilha sonora dos longas-metragens Gamal, o delírio do sexo (1969), Paulicéia Fantástica (1969/70) e do média-metragem Eterna Esperança (1970)

Jornalismo

* O Lampião da Esquina

Literatura

* Testamento de Jônatas Deixado a David (1976)
* As Incríveis Aventuras de El Cóndor' (1980)
* Em Nome do Desejo (1983)
* Vagas Notícias de Melinha Marchiotti (1984)
* Devassos no Paraíso (1986)
* O Livro do Avesso (1992)
* Ana em Veneza (1994)
* Troços & Destroços (1997)
* Seis Balas num Buraco Só: A Crise do Masculino (1998)
* Pedaço de Mim (2002)
* Em breve: livro sobre o mundo gay de São Paulo

Roteiro (adaptação)

* Doramundo, obra de Geraldo Ferraz e direção de João Batista de Andrade (1º tratamento, 1977) - aclamado com o prêmio de melhor filme, cenografia e diretor no Festival de Gramado de 1978
* A mulher que inventou o amor, de Jean Garrett (1981)

Teatro

* Heliogábalo & Eu
* Em Nome do Desejo
* Troços & Destroços
* Hoje é dia do Amor


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

AS ENTREVISTAS DO GAY SUNSHINE

SEXUALIDADE E CRIAÇÃO LITERÁRIA
organizado por WINSTON LEYLAND
GAY SUNSHINES ENTERVIEWS
Editora - CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
Ano - 1980
Nº de páginas - 251


A sucessão gay


Walt Whitman dormia com Edward Carpenter
Edward Carpenter dormia com Gavin Arthur
Gavin Arthur dormia com Dean Moriarty
Dean Moriarty dormia com Allen Ginsberg
Allen Ginsberg dormia com ...

O documento seguinte apareceu pela primeira vez no Jornal Gay Sunshine 35 (1978) e foi reimpresso como um apêndice da entrevista de Allen Ginsberg no livro Gay Sunshine Entrevistas, Volume 1, Gay Sunshine Press, 1978.

Allen Ginsberg escreveu: "O falecido Gavin Arthur, astrólogo de San Francisco e companheiro de Sufi Sam, morreu em 1972 após uma longa vida amorosa. Pedi~le para escrever, uma memória do seu encontro com Edward Carpenter, que por sua vez, segundo Gavin Arthur tivera um encontro com Walt Whitman, quando, ainda segundo Arthur, Whitman recomendou-o a Ramakrishna na Índia, para onde Carpenter iria viajar. Assim, este é um documento confiado a mim por Gavin Arthur, em 1967, o ano do 1st Human Be-In, em San Francisco.

Segue aí um curioso texto memorialista onde até um certo mate do Brasil seria citado. O livro é fascinante e nos brinda com entrevistas de -
ALLEN GINSBERG. WILLIAM BURROUGHS. ROGER PEYREFITTE. CHRISTOPHER ISHERWOOD. JOHN RECHY. GORE VIDAL. TENNESSEE WILLIAMS.

Nos trazendo CONEXÕES ENTRE A SEXUALIDADE E A CRIATIVIDADE ARTÍSTICA.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Edmund White

















Edmund White nasceu em 13 de janeiro de 1940, em Cincinnati, Ohio. " Seu pai era, de acordo com White, "um pequeno empresário que fez um monte de dinheiro e, depois, perdeu grande parte dele durante o período em que os pequenos empresários estavam sendo substituída pelas grandes corporações." Quando seus pais se divorciaram, e ele passou com mãe e irmão a viver nos arredores de Chicago.

Em 1991 seu ensaio intitulado "Fora do armário, para a Biblioteca," escreveu - "Como um adolescente passei a tentar desesperadamente ler coisas para que poderiam assegurar-me ou desculpar-me que não era o único com aqueles sentimentos." No início dos anos 1950, os livros que ele poderia encontrar em Evanston, Illinois, Biblioteca Pública foram Morte em Veneza Thomas Mann (que sugeria, sendo White que a homossexualidade foi fetida, platônica e difícil de lidar) e a biografia de Nijinsky por sua esposa (na qual ela obliquamente lamentou a demoníaca influência do impresario Diaghilev em seu "santo marido", o dançarino.)

White participou da exclusiva Cranbrook Academy, e mais tarde graduou-se em chinês na Universidade de Michigan. De passagem para a cidade de Nova Iorque , ele trabalhou para a Time-Life Books de 1962 até 1970. Após um ano em Roma, regressou para os E.U.A onde trabalhou como editor . Em meados da década de 1970, ele e outros seis gaysd e Nova Iorque , os escritores Andrew Holleran, Robert Ferro, Felice Picano, George Whitmore, Christopher Cox, e Michael Grumley formaram um clube informal conhecido como o Quill Violet. Reunidos em um apartamentos, eles liam e faziam críticaa aos trabalhos . Juntos, eles representavam o florescimento do tipo de livro Edmund White como um adolescente gay , em Illinois tinha tentado encontrar. Os romances de White incluem uma alegórica fantasia a Fire Island life, Forgetting Elena (1973), Nocturnes for the King of Naples (1978) e os dois primeiros volumes de uma autobiográfica tetralogia, A Boy's Own Story (1982) and The Beautiful Room Is Empty (1988). White completa a tetraologia com The Farewell Symphony (1997) and The Married Man (2000).

White sempre teve o desejo de definir, nos finais dos anos 1970 e início de 1980, os parâmetros da "cultura gay" . Com a AIDS, é claro, tudo exacerbou-se e White enfrenta o dilema de escritores gays de hoje: "Alguns ... Acham que é abusivo lidar com qualquer coisa [que não sejam AIDS], outros acreditam que, uma vez que a cultura é gay corre o risco de ser reduzida a uma única questão, uma vez que equipara uma homossexualidade como uma condição médica. "O verdadeiro dever de gay é de lembrar aos leitores a riqueza das realizações dos gays ". Só dessa forma, será o património gay será transmitido . A escolha de White é clara: um de seus mais recentes trabalhos é uma monumental biografia do romancista e dramaturgo francês Jean Genet que é celebrado como um tesouro do património gay, e defende a centralidade da homossexualidade de Genet a qualquer consideração a respeito de sua obra.


"I do think that sex is something worth dying for. I believe what art is primarily about is beauty, and what beauty is about is death."


O HOMEM CASADO
408 páginas
Arx, 2002











O livro apresenta a história de Austin Smith, professor norte-americano especializado em artes que vive em Paris. Desiludido com o amor e conformado com a solidão, um dia encontra Julien, arquiteto francês muito mais jovem e casado. Assim, o contato casual inicialmente estabelecido evolui para um relacionamento intenso.

O Lindo Quarto Está Vazio
Mandarim













Aquele era um tempo e um lugar em que havia pouco consumo de cultura e nenhuma divergência, não quanto a aparência, credo e comportamento.(...)Todo mundo comia a mesma comida, vestiam as mesmas roupas e as poessoas decidiam se elas eram democratas ou repúblicanas.Os três crimes ediondos mais conhecidos para o homem eram:o consumismo, vício de heroina e homosexualidade. Pág.261

Um Jovem Americano
189 páginas
Siciliano














É um romance moderno que evoca na memória do leitor o confuso ritual que marca a passagem da adolescência à vida adulta.

e ainda

GENET: UMA BIOGRAFIA
Record
784 páginas

É o relato definitivo da vida marginal- dos internatos à deportação, passando pelas cadeias - de um dos mais polêmicos escritores franceses do século XX. Edmund White apresenta uma biografia meticulosa, fruto de um trabalho de sete anos de pesquisa, onde apresenta o trabalho de Genet de uma forma concisa e sem preconceitos. Genet foi amigo das principais mentes de seu tempo: o filósofos Sartre, Derrida e Foucault; os escritores Cocteau e Jouhandeau, Juan Goytisolo e Moravia; os compositores Stravisnky e Boulez; o diretor de teatro Roger Blin; os pintores Leonor Fini e Christian Bérad, o escultor Giacommetti; os líderes políticos Pompidou e Mitterand, diz White. Ladrão, prostituído, prisioneiro, mendigo, bastardo, Jean Genet é um dos monstros sagrados da literatura francesa. Apenas um punhado de escritores do século XX, como Kafka e Proust, tem uma voz e um estilo tão importantes, tão autorizados, tão irrevogáveis, escreveu Susan Sontag no lançamento de romances do autor nos Estados Unidos, em 1963. Genet passou a juventude em reformatórios e prisões onde afirmou sua homossexualidade. Enquanto compunha romances ou peças consagradas como O balcão, Os negros e Os biombos criou uma chocante mitologia pessoal marcada por escândalos, roubos e rixas. Colecionou uma sucessão de amantes que o acompanharam pelo bas fond parisiense e conquistou o grand monde intelectual europeu. Seus primeiros trabalhos - Nossa Senhora das Flores e O milagre da Rosa, chamaram a atenção de Jean Cocteau, mas foi através da influência de Jean Paul Sartre que ficou famoso. Depois do suicídio de um de seus amantes, do amigo e tradutor Bernard Frechtman e de uma tentativa de suicídio, Genet atravessou a década de 1960 colhendo frutos de sucesso de seus romances, peças e roteiros. Mas a partir dos anos 70 até a sua morte em 1986, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes na França, assumiu a causa dos palestinos e envolveu-se com líderes de movimentos norte-americanos como Panteras Negras e beatnicks. Eu não tenho leitores, e sim milhares de voyeurs que me espiam de uma janela que dá para o palco da minha vida pessoal, declarou certa vez o escritor. A obra e a vida de Genet cobrem um vasto território intelectual, social e político que ressurge nesta biografia de Edmund White não só como recuperação de uma trajetória ímpar, mas como um painel de movimentos culturais do século XX. GENET faz parte da Coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, seus aspectos históricos, políticos, literários e antropológicos.

Uma biografia inteligente e encantadora, sem preconceitos. London Review of Books

Uma contribuição ímpar para a compreensão da obra de Genet, de seu idiossincrático sistema ético e singular experiência de vida (...) Memorável. San Francisco Review of Books.


e mais a Biografia

Marcel Proust - Serie Breves Biografias
Objetiva
Abrindo a série - breves biografias, Marcel Proust de White é um grande exemplar da biografia em sua forma curta, que ilumina tanto o personagem quanto sua época de forma economica e loquaz, olhando escritor com a admiração pela sua obra e sua condição homossexual pouco discutida.


Toda a sua Obra

Forgetting Elena
The Joy of Gay Sex
Nocturnes for the King of Naples
States of Desire: Travels in Gay America
A Boy's Own Story
The Beautiful Room is Empty
Caracole
The Darker Proof: Stories from a Crisis
The Faber Book of Gay Short Fiction
Genet: A Biography
The Burning Library
Our Paris: Sketches from Memory
Skinned Alive
The Farewell Symphony
Marcel Proust
The Married Man
Loss Within Loss: Artists in the Age of AIDS
The Flâneur
Fanny, A Fiction
Arts and Letters
My Lives
Chaos
Hotel de Dream


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

FLORES RARAS E BANALÍSSIMAS


A história de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop

de Carmen L. Oliveira
Páginas - 224

Editora Rocco

Em dezembro de 1951, Elizabeth Bishop desembarcou no Rio para uma escala de dois dias de uma longa viagem em que buscava um sentido para sua vida. Encontrou Lota de Macedo Soares e ficou 16 anos.

Flores raras e banalíssimas conta a história desse amor entre a poeta americana e a esteta brasileira, veemente e dramático, sob o pano de fundo do Brasil dos anos 50 e 60.

Talvez por não haver, na história recente, um outro exemplo de casal feminino tão formidável, a dupla biografia de Carmen L. Oliveira vem cativando leitores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, onde foi publicada pela Rutgers University Press, em tradução de Neil Besner, recebendo dois importantes prêmios literários. Merece, agora, uma nova edição, pela Editora Rocco.

Os primeiros tempos de vida em comum, junto à mata de Samambaia, foram de grande felicidade. Esta pode ser medida pelo fato de que moraram durante anos em uma casa em construção, compensando a precariedade com uma intensa devoção. Assumiram sua homossexualidade com surpreendente naturalidade para a época. Bishop escreveu alguns de seus mais marcantes poemas em Samambaia, conseguindo se afastar do alcoolismo.

Em 1961, Lota embarcou no ambicioso projeto de idealizar e administrar a construção de um parque à beira-mar, no aterro do Flamengo. O casal teve que se mudar para o Rio. A visão urbanística de Lota esbarrava em interesses gananciosos e seus conceitos avançados de lazer e estética não encontravam ressonância na burocracia e na política. Lota foi-se ausentando cada vez mais de casa e, com imenso desgaste, canalizando suas energias para superar os obstáculos sistematicamente colocados pelos que consideravam seu plano visionário.

Bishop, antes apaziguada na casa na neblina, viu-se só, no burburinho da cidade grande. Seu melhor depoimento sobre a cruel transição entre a exuberância natural de Samambaia e o terror urbano está em seus poemas, nos quais a bromélia é substituída por uma cadela sarnenta e, em vez das imagens sensuais da vida natural, surgem putinhas dançando o chácháchá nas calçadas de Copacabana. Bishop recaiu no alcoolismo.

A obsessão de Lota pela conclusão do parque e a crescente instabilidade emocional de Bishop contribuíram para que ambas enfrentassem uma forte crise em sua vida amorosa, agravada pelo tumulto da época, com a instalação da ditadura e o fim político de Lacerda.

Os retratos nuançados de Lota e Bishop, bem como a reconstituição impecável do momento histórico, custaram a Carmen L. Oliveira muitos anos de pesquisa em documentos inéditos, correspondência das protagonistas, a obra de Bishop, ofícios de Lota, diários, agenda pessoal, jornais, revistas e depoimentos de confidentes. Daí emergiu uma história sensacional, envolvendo pessoas extraordinárias, como José Eduardo de Macedo Soares, D. Baby Lage, Carlos Lacerda, Roberto Burle Marx, Rachel de Queiroz e Alexander Calder, todos personagens do livro.

Diz Elio Gaspari: "Carmen L. Oliveira conta a história com um estilo de dar inveja e com o perfeito domínio dos grandes personagens que conviveram com as duas. Poucas vezes a figura do governador Carlos Lacerda, ainda que coadjuvante, apareceu tão bem retratada em sua energia e voracidade cultural."

Flores raras e banalíssimas é para quem gosta de uma boa história e de História. Livro que se lê de um fôlego só.

Esta edição revista é imperdível.


Carmen L. Oliveira é carioca, pós-graduada em literatura pela University of Notre Dame. Escritora e tradutora . Escreveu artigos para O Globo, O Estado de São Paulo e Bravo! Conferencista no Brasil e exterior. Publicou os ensaios "Luminous Lota" ( em In Worcester, Massachusetts, Peter Lang Ed.) e " Jack Soul Brasileira -- identidade cultural e globalização" (em Globalização, democracia e desenvolvimento social, CEBRI). Publicou, pela Rocco, Trilhos e quintais, reconstrução das revoluções de 30 e 32, na ótica de uma cidade imaginária em Minas Gerais.

A Meta



de Darcy Penteado

da antiga Edições Símbolo
Ano: 1977
Edição: 2ª

Darcy Penteado, nasceu em São Roque em 1929 e faleceu aos 61 anos, em 5 de dezembro de 1987, foi desenhista, cenógrafo, autor teatral e pioneiro militante do movimento GLS brasileiro.

Distinguindo-se sempre pelos elegantes desenhos a bico de pena, trabalhou primeiro em publicidade e como figurinista, ilustrando revistas de moda, passando logo a trabalhar em teatro, como figurinista e cenógrafo, tendo participado, na década de 1950, do TBC.

Participou de inúmeras exposições, ilustrou livros e foi uma figura presente na cena cultural da cidade de São Paulo entre a década de 1950 e década de 1980, quando faleceu vitimado pela AIDS.

Escreveu peças de teatro e lançou o livro A Meta em 1976, combatendo a discriminação. Participou ativamente, durante os anos de repressão da ditadura militar como editor do extinto tablóide O Lampião, especializado na questão da diversidade sexual.

Nos últimos dois anos de vida, retirou-se para uma mansão no alto da Serra da Cantareira, São Paulo, e continuou suas pinturas.Foi de Darcy Penteado, ainda no início da década de 80, a primeira tentativa de arrecadação de fundos em benefício da pesquisa sobre a Aids no Brasil, através de um leilão. Apesar de desencantado com os resultados, participou de diversas campanhas de concientização sobre a AIDS, tendo gravado uma chamada para a televisão, de alerta ao público.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Federico García Lorca


Federico García Lorca
uma Biografia

de Ian Gibson

Editora: Globo
Livros Biografia e Memória
tradução de Augusto Klein
Páginas - 608


Em 1936, no início da Guerra Civil, a Espanha perdia um de seus maiores poetas, já convertido numa de suas primeiras vítimas da brutal violência franquista que iria se abater sobre o país. Morto aos 38 anos, Federico García Lorca transformou-se em lenda. Nesta biografia, a mais completa que já se produziu sobre ele, alguns mitos são quebrados e sua rica personalidade se ilumina e se ressalta. Aliando precisão documental a um texto fácil e sensível, Ian Gibson constrói uma obra fascinante e definitiva, seguindo o poeta passo a passo em seu inexorável caminho até a morte, em Granada, quando estava pleno de vida e de projetos literários.

Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transfere-se para Madri, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.

Grande parte dos seus primeiros trabalhos se baseiam em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928)

Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940.

Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava suas idéias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do século XX.

O AUTOR

Gibson nasceu em Dublin em 1939 e foi educado em Newtown, escola em Waterford, e Trinity College de Dublin. Foi docente de espanhol na Queen's University, Belfast, e, depois, se tornou especialista Literatura Moderna Espanhola, na Universidade de Londres. Em 1975 ele deixou a vida acadêmica para se tornar um escritor em tempo integral - vivendo em primeiro lugar na França, depois, em Madri. Na hora de escrever vai para a sua casa perto de Granada.

Ian Gibson pode ser declarado uma das maiores autoridades mundiais em Lorca e Dalí. Seu livro "Federico Garcia Lorca: A Life" ganhou o Prêmio Memorial Duff Cooper e o James Tait Black Memorial Prize, sendo nomeado o "melhor livro de 1989" por parte do New York Times e do Boston Globe.

Mais recentemente, "A vergonha da vida de Salvador Dalí" é, talvez, a mais profunda e ambiciosa biografia de Salvador Dalí já escritos. Gibson oferece uma narrativa completa de Dalí, de sua vida como artista e como um desinibido exibicionista, e re-analisa os papéis das duas pessoas mais importantes na vida do artista: o autor e dramaturgo espanhol Federico García Lorca e sua enigmática e libidinosa esposa Gala.

Como o autor afirma: "O que tenho tentado criar é um livro que irá reviver interesse em ambos - Dalí e Lorca -, bem como despertar o interesse do público em biografias. Na relação entre Lorca e Dali, há ainda muitas incertezas, mas o que nós sabemos é fascinante ".




Segundo Ian Gibson " no que toca às circunstâncias da morte de Lorca, o quadro geral é agora claro. No entanto, não se pode dizer o mesmo quando a sua vida privada. Entre os amigos (e a família) do poeta houve sempre uma profunda relutância em comentar ou sequer admitir seu homossexualismo, e uma deficiência desta biografia, se comparada, por exemplo, com a vida de Forster escrita por P. N. Furbank, é que foi simplesmente impossível formar mais que uma visão rudimentar, pelos padrões e europeus ou americanos, desse aspecto essencial da existência de Lorca. Somente uma ou duas cartas ao adorado Salvador Dalí vieram à luz (por sorte temos as do pintor para ele); quase nada se sabe da sua apaixonada relação com o escultor Emilio Aladrén, que morreu em 1942 - salvo o fato de ter sido apaixonada; e poucos dados existem do se u pro fundo envolvimento com Rafael Rodríguez Rapún, morto durante a guerra." (...)

A Batalha de Madrid Novembro de 1936 Guerra Civil Espanhola





Entrevista Ian Gibson sobre Lorca




Você encontra este livro em nosso parceiro Joaquim


Eduardo Cruz

domingo, 31 de agosto de 2008

Amor em Tempos Sombrios


Amor em Tempos Sombrios

de Colm Tóibín















A temática comum a todos os artigos do livro é específica: a homossexualidade não assumida ou não declarada de artistas, escritores e poetas do meio do século XIX até nossos dias. O mais importante, entretanto, é a análise da relação entre o espírito do artista/escritor/poeta e sua obra e as sociedades e os tempos diversos em que viveram. Esse livro oferece um panorama sensível de almas distintas, irmanadas pelo estigma e pelo preconceito, interiormente invencível, como tão bem transparece nessas páginas.


Na verdade o livro nos trás de Oscar Wilde a Almodovar, e começa com uma narrativa pessoal sobre sua infância na Irlanda. São pequenos ensaios, mostrando de que forma a vida influencia a arte.


Um livro onde cada capítulo parece ser uma redescoberta carregado, inclusive, por uma certa energia erótica (como no caso de Roger e Thomas Mann), ou na admiração por figuras como
(Wilde, Bacon, Almodovar), ou o fascínio por certo comportamento de sofrimento ( Elizabeth Bishop, James Baldwin) e, certamente, na tragédia (Thom Gunn e Mark Doty).
Colm Tóibín olha a vida e o trabalho de alguns dos importantes artistas dos séculos XIX e XX,
figuras de primeiro plano cuja a homossexualidade permaneceu escondida ou dissimulada em parte de suas vidas.

Contudo em suas vidas privadas, e também no espírito de seu trabalho, as leis do desejo mudaram tudo para eles e fizeram toda a diferença.
Este livro estuda como o mundo em mudança alterou as vidas e os caminhos de nossos personagens. Colm Tóibín lança uma nova luz sobre a vida destes grandes nomes da literatura e cultura.

Tóibín fez a sua educação básica como aluno interno do St Peter's College, entre 1970 e 1972. Prosseguiu os seus estudos na University College Dublin, tendo-se licenciado em 1975, após o que partiu imediatamente para Barcelona. A sua primeira novela, The South (em inglês), de (1990), inspirou-se parcialmente nos seus tempos passados na capital da Catalunha, tal como, mais directamente, o seu ensaio Homage to Barcelona, também de (1990).

Ao regressar à Irlanda, em 1978, iniciou os seus estudos com vista à obtenção do grau de Mestre, no entanto acabou por nunca entregar a sua tese e deixou a universidade, pelo menos em parte, para uma carreira como jornalista. Os primeiros anos da década de 1980 foram um período particularmente brilhante para o jornalismo irlandês e a época áurea da revista noticiosa mensal Magill (em inglês), de que Tóibín foi editor a partir de 1982 e até 1985.

The Heather Blazing (em inglês), de 1992, foi a sua segunda novela, seguida por The Story of the Night (em inglês), em 1996 e The Blackwater Lightship (em inglês), em 1999. Em 2004 Tóibín publicou O Mestre, um retrato ficcional da vida do escritor Henry James, que foi nomeada para o prestigiado Booker Prize.

Tóibín continuou sempre a trabalhar como jornalista, tanto na Irlanda como no estrangeiro, tendo também alcançado prestígio como crítico literário, ao editar ou escrever obras como The Penguin Book of Irish Fiction (1999) e The Modern Library: The 200 Best Novels in English since 1950 (1999) com Carmen Callil, bem como o famoso ensaio Love in A Dark Time: Gay lives from Wilde to Almodóvar em 2002.

Prêmios

* The Blackwater Lightship (em inglês) foi indicado em 1999 para o Booker Prize e em 2001 para o International IMPAC Dublin Literary Award.
* O Mestre ganhou em 2006 o International IMPAC Dublin Literary Award; foi nomeado em 2004 para o Booker Prize; ganhou também em 2004 o prémio Los Angeles Times Novel of the Year e o Stonewall Book Award, tendo ainda sido classificado pelo The New York Times como um dos 10 mais notáveis livros de 2004.


Leia um trecho deste livro em sua edição original.


e.cruz





sábado, 30 de agosto de 2008

A visão do corpo humano através da foto - um livro de John Pultz


Conheça a obra de John Pultz e passe a olhar a arte da fotografia por outros ângulos.


Saiba mais



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ALÉM DO CARNAVAL

A HOMOSSEXUALIDADE MASCULINA NO BRASIL DO SÉCULO XX

de JAMES GREEN

tradução de
MARIA CRISTINA FINO

Páginas: - 541




Uma obra fantástica tanto do ponto de vista documental como analítico. "Como obra pioneira, Além do carnaval examina a realidade social e cultural da homossexualidade masculina no Brasil ao longo do século XX. James Green questiona a visão estereotipada de que a expressão desinibida e licenciosa do comportamento homossexual durante o carnaval comprova a asserção de que a sociedade brasileira tolera a homossexualidade e a bissexualidade na vida cotidiana. Sustentado por ampla pesquisa e sólida erudição, esta obra traz uma contribuição inestimável a uma área negligenciada da história social brasileira" no saber de Robert M Levine, professor de História e diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Miami.

Mede a influência dos modelos teóricos europeus selecionados pelos sexólogos brasileiros. Faz frente em especial aos acontecimentos que provocaram uma nova identidade homossexual (no Rio de Janeiro e São Paulo) a partir da década de 70. A obra de leitura fácil navega no tempo e expõem entre fatos hediondos de preconceitos explícitos , casos curiosos que povoam até hoje o "folclore" do mundo gay.

"Durante muito tempo, o carnaval brasileiro, com seu cortejo de homens travestidos de mulher, vendeu, dentro e fora do país, a imagem de uma convivência pacífica da sociedade com a homossexualidade e a bissexualidade. Este livro inovador do brasilianista James N. Green - ganhador do prêmio "Hubert Herring", do Conselho de Estudos Latino-Americanos na Costa do Pacífico (EUA), e o da Fundação "Paul Monette" como o melhor trabalho sobre estudos gays e lésbicos - mostra que por debaixo dos trajes à la Carmen Miranda, típico mito de exportação da alegria e descontração carnavalescas, sempre esteve escondido não a tolerância, mas o preconceito. O estudo de Green se concentra na homossexualidade masculina no Rio de Janeiro e em São Paulo, ao longo do século XX. O primeiro período analisado é o da chamada belle époque carioca, que vai da virada do século até 1920, destacando-se a Praça Tiradentes como ponto de encontro dos homossexuais masculinos. O autor examina, entre outras coisas, aquela que talvez seja a primeira pornografia homoerótica brasileira, O menino do Gouveia, conto anônimo publicado na revista Rio Nu, em 1914; o romance Bom-Crioulo de Adolfo Caminha; o levantamento feito em 1872 pelo médico Ferraz de Macedo dos vários tipos de comportamento homoerótico, bem como o tratado de Pires de Almeida, de 1906, sobre o homossexualismo, além da figura pública do dândi João do Rio, um dos mais célebres escritores do país. Nos anos que vão de 1930 a 1945, o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, passa a desempenhar um papel semelhante ao da Praça Tiradentes no período
anterior. No Rio, o boêmio bairro da Lapa vê surgir uma das figuras mitológicas da malandragem carioca, o pernambucano João Francisco dos Santos, o temido Madame Satã, homossexual assumido e bom de briga. São também dessa época as diversas pesquisas de médicos, juristas, psiquiatras e crimonologistas sobre a homossexualidade, boa parte delas de inspiração eugenista, visando classificar ou curar o que acreditavam ser a "perversão" homossexual. No período seguinte, que vai até 1968 e a decretação do AI- 5, verifica-se uma intensificação das subculturas homossexuais no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a ocupação de novas áreas nas cidades, a abertura de bares exclusivamente para gays e os bailes carnavalescos de travestis, sobretudo ao redor da Praça Tiradentes. Data dessa época o surgimento de um modesto jornal gay rodado em mimeógrafo, O Snob, que inspiraria cerca de trinta outras publicações similares em todo o país. A polaridade entre homossexual passivo e ativo, entre "bicha" e "bofe" começa então a ser posta em xeque. O capítulo dedicado à "apropriação homossexual do carnaval carioca" é um dos mais fascinantes do livro, não faltando sequer a controvertida figura de Rock Hudson entre os mais afoitos foliões de 1958. De 1969 a 1980, ou seja, entre o pior momento da ditadura militar e o aparecimento, em 1978, do jornal gay Lampião da Esquina e do grupo Somos, o espaço urbano gay se expande significativamente, com a proliferação de bares, discotecas, saunas etc. Travestis e michês, que vivem da prostituição, passam a ser vistos como freqüência cada vez maior nas ruas do Rio e de São Paulo. Data desse período um movimento gay politizado no Brasil, com cuja análise se encerra esta obra extremamente bem documentada e que prende a atenção do leitor ao longo de suas quase quinhentas páginas."

resenha de e. cruz