quarta-feira, 10 de setembro de 2008

V Congresso da ABEH


Continuaremos publicando nestes dias declarações dos palestrantes e imagens das duas exposições que foram abertas ao público no dia de ontem

V Congresso da ABEH - abertura

Estes são alguns flagrantes da concorrida abertura do V Congresso da ABEH que aconteceu no MAC - Ibirapuera
  










segunda-feira, 8 de setembro de 2008

IV Congresso da ABEH









A PARTIR DE AMANHÃ

DIA 9 ESTAREMOS PRESENTES E POSTANDO DIRETAMENTE DO
V Congresso da ABEH

RETRATOS DO BRASIL HOMOSSEXUAL – FRONTEIRAS, SUBJETIVIDADES E DESEJOS

Este “Retrato” foi feito como um quadro impressionista. (...) Desaparecem quasi por completo as datas. Restam somente os aspectos, as emoções, a representação mental dos acontecimentos, resultantes estes mais da deducção especulativa do que da seqüência concatenada dos factos.

PRADO, Paulo. Retrato do Brasil. Cia. Editora Nacional,
1928, p.183.

Em 1928, Paulo Prado publicou Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, obra que marca o início das reflexões contemporâneas sobre a identidade nacional, procurando estabelecer um quadro descritor de uma subjetividade ainda em processo e que se (re)formulava desde a efeméride/divisor de águas do centenário da Independência do Brasil.

Oitenta anos após, os atores sociais que ilustram o “retrato” – que se almeja construir no IV Congresso da ABEH - já são outros, como também as relações sociais, intelectuais e artísticas superam àquelas tematizadas na publicação de Prado e imaginadas na empreitada do Modernismo da Semana de 22. Cabe à contemporaneidade e aos seus pensadores procurarem cifrar os aspectos que a cultura e a identidade brasileiras assumem na atualidade, cumprindo assim o atendimento das demandas sociais, dos questionamentos intelectuais sobre quem é e o que é o Brasil no alvorecer do século XXI.

Nesse sentido, o IV Congresso da ABEH “Retratos do Brasil Homossexual: Fronteiras, Subjetividades e Desejos” lança um novo desafio: como, no Brasil contemporâneo, se articulam os diversos retratos que constituem as experiências homossexuais, homoeróticas e os estudos acerca da homocultura?

Com este evento, os organizadores propõem iniciar as discussões acerca do estabelecimento desse recorte, como também suscitar uma ampla discussão acadêmica e social. Isso propicia um projeto maior, que é pensar a homossexualidade e a homocultura no contexto da sociedade brasileira.

Como em Retrato do Brasil, quer-se a busca não só dos elementos que compõem a brasilidade e o brasileiro, mas, também traçar quais subjetividades e identidades estão em consonância ou em confronto quando se fala das representações homoculturais. Não só um retrato em preto e branco, da tristeza do brasileiro e de sua cultura, como também a imagem colorida – e em cores fortes – das questões homossexuais e de sua urgência cultural, política, artística, social e médica, bem como a sua afirmação no âmbito dos Direitos Humanos. Ainda mais se considerarmos que, via de regra – e o livro seminal de Prado não é exceção –, a experiência homossexual não recebeu um olhar adequado, produzido por um esforço hermenêutico coletivo, ao longo do século XX.

Assim, constitui-se como fato de suma importância a realização desse IV Congresso, com vistas ao desdobramento das discussões acima enfatizadas. Ao ressaltarem-se os “Retratos do Brasil Homossexual”, reconduzimos “Fronteiras, Subjetividades e Desejos” em nossa sociedade, para a sua maior diversidade cultural e sexual.

Com isso, propomos este evento, a ocorrer entre os dias 9 e 12 de setembro de 2008, na cidade de São Paulo, cujo objetivo é criar indicadores que permitam o desenvolvimento de pesquisas acerca desse sujeito social no país.

Concomitantemente, propomos a realização de um primeiro encontro entre militantes brasileiros e internacionais sob forma da edição do “Encontro Hispano-Brasileiro de Militantes Homossexuais”, que se realizará no dia anterior à inauguração do Congresso. Esse intercâmbio promoverá a internacionalização das questões propostas, ao fazer-se com um país de reconhecida reflexão no campo dos estudos homoculturais: a Espanha.

O IV Congresso da ABEH acontece de 9 a 12 de setembro de 2008 a ser promovido junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, pelas Áreas de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa, com o tema “Retratos do Brasil Homossexual: Fronteiras, Subjetividades e Desejos”, e seus trabalhos articulam-se em torno de seis eixos:

- Retratos da Arte: cinema, fotografia e outras mídias
- Retratos da Imagem: o corpo como discurso
- Retratos Literários: obras, personagens e sentidos
- Retratos sociais: territórios, espaços e subjetividades
- Retratos e Identidades: sujeitos, encenações, culturas
- Retratos da Militância: atuação, direitos humanos, conquistas


LEIA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA EM

AS ENTREVISTAS DO GAY SUNSHINE

SEXUALIDADE E CRIAÇÃO LITERÁRIA
organizado por WINSTON LEYLAND
GAY SUNSHINES ENTERVIEWS
Editora - CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
Ano - 1980
Nº de páginas - 251


A sucessão gay


Walt Whitman dormia com Edward Carpenter
Edward Carpenter dormia com Gavin Arthur
Gavin Arthur dormia com Dean Moriarty
Dean Moriarty dormia com Allen Ginsberg
Allen Ginsberg dormia com ...

O documento seguinte apareceu pela primeira vez no Jornal Gay Sunshine 35 (1978) e foi reimpresso como um apêndice da entrevista de Allen Ginsberg no livro Gay Sunshine Entrevistas, Volume 1, Gay Sunshine Press, 1978.

Allen Ginsberg escreveu: "O falecido Gavin Arthur, astrólogo de San Francisco e companheiro de Sufi Sam, morreu em 1972 após uma longa vida amorosa. Pedi~le para escrever, uma memória do seu encontro com Edward Carpenter, que por sua vez, segundo Gavin Arthur tivera um encontro com Walt Whitman, quando, ainda segundo Arthur, Whitman recomendou-o a Ramakrishna na Índia, para onde Carpenter iria viajar. Assim, este é um documento confiado a mim por Gavin Arthur, em 1967, o ano do 1st Human Be-In, em San Francisco.

Segue aí um curioso texto memorialista onde até um certo mate do Brasil seria citado. O livro é fascinante e nos brinda com entrevistas de -
ALLEN GINSBERG. WILLIAM BURROUGHS. ROGER PEYREFITTE. CHRISTOPHER ISHERWOOD. JOHN RECHY. GORE VIDAL. TENNESSEE WILLIAMS.

Nos trazendo CONEXÕES ENTRE A SEXUALIDADE E A CRIATIVIDADE ARTÍSTICA.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A ARTE PERFORMÁTICA


Vanessa Beecroft é uma artista contemporânea genovesa que vive em Los Angeles. O corpo feminino, nú ou não, sua interação com o ambiente e sua interrelação com outros é a base para as suas performances sempre registradas em fotos e vídeos. Instigante, questiona o culto ao corpo e os aspectos estéticos da multiplicidade.


confira aqui

Edmund White

















Edmund White nasceu em 13 de janeiro de 1940, em Cincinnati, Ohio. " Seu pai era, de acordo com White, "um pequeno empresário que fez um monte de dinheiro e, depois, perdeu grande parte dele durante o período em que os pequenos empresários estavam sendo substituída pelas grandes corporações." Quando seus pais se divorciaram, e ele passou com mãe e irmão a viver nos arredores de Chicago.

Em 1991 seu ensaio intitulado "Fora do armário, para a Biblioteca," escreveu - "Como um adolescente passei a tentar desesperadamente ler coisas para que poderiam assegurar-me ou desculpar-me que não era o único com aqueles sentimentos." No início dos anos 1950, os livros que ele poderia encontrar em Evanston, Illinois, Biblioteca Pública foram Morte em Veneza Thomas Mann (que sugeria, sendo White que a homossexualidade foi fetida, platônica e difícil de lidar) e a biografia de Nijinsky por sua esposa (na qual ela obliquamente lamentou a demoníaca influência do impresario Diaghilev em seu "santo marido", o dançarino.)

White participou da exclusiva Cranbrook Academy, e mais tarde graduou-se em chinês na Universidade de Michigan. De passagem para a cidade de Nova Iorque , ele trabalhou para a Time-Life Books de 1962 até 1970. Após um ano em Roma, regressou para os E.U.A onde trabalhou como editor . Em meados da década de 1970, ele e outros seis gaysd e Nova Iorque , os escritores Andrew Holleran, Robert Ferro, Felice Picano, George Whitmore, Christopher Cox, e Michael Grumley formaram um clube informal conhecido como o Quill Violet. Reunidos em um apartamentos, eles liam e faziam críticaa aos trabalhos . Juntos, eles representavam o florescimento do tipo de livro Edmund White como um adolescente gay , em Illinois tinha tentado encontrar. Os romances de White incluem uma alegórica fantasia a Fire Island life, Forgetting Elena (1973), Nocturnes for the King of Naples (1978) e os dois primeiros volumes de uma autobiográfica tetralogia, A Boy's Own Story (1982) and The Beautiful Room Is Empty (1988). White completa a tetraologia com The Farewell Symphony (1997) and The Married Man (2000).

White sempre teve o desejo de definir, nos finais dos anos 1970 e início de 1980, os parâmetros da "cultura gay" . Com a AIDS, é claro, tudo exacerbou-se e White enfrenta o dilema de escritores gays de hoje: "Alguns ... Acham que é abusivo lidar com qualquer coisa [que não sejam AIDS], outros acreditam que, uma vez que a cultura é gay corre o risco de ser reduzida a uma única questão, uma vez que equipara uma homossexualidade como uma condição médica. "O verdadeiro dever de gay é de lembrar aos leitores a riqueza das realizações dos gays ". Só dessa forma, será o património gay será transmitido . A escolha de White é clara: um de seus mais recentes trabalhos é uma monumental biografia do romancista e dramaturgo francês Jean Genet que é celebrado como um tesouro do património gay, e defende a centralidade da homossexualidade de Genet a qualquer consideração a respeito de sua obra.


"I do think that sex is something worth dying for. I believe what art is primarily about is beauty, and what beauty is about is death."


O HOMEM CASADO
408 páginas
Arx, 2002











O livro apresenta a história de Austin Smith, professor norte-americano especializado em artes que vive em Paris. Desiludido com o amor e conformado com a solidão, um dia encontra Julien, arquiteto francês muito mais jovem e casado. Assim, o contato casual inicialmente estabelecido evolui para um relacionamento intenso.

O Lindo Quarto Está Vazio
Mandarim













Aquele era um tempo e um lugar em que havia pouco consumo de cultura e nenhuma divergência, não quanto a aparência, credo e comportamento.(...)Todo mundo comia a mesma comida, vestiam as mesmas roupas e as poessoas decidiam se elas eram democratas ou repúblicanas.Os três crimes ediondos mais conhecidos para o homem eram:o consumismo, vício de heroina e homosexualidade. Pág.261

Um Jovem Americano
189 páginas
Siciliano














É um romance moderno que evoca na memória do leitor o confuso ritual que marca a passagem da adolescência à vida adulta.

e ainda

GENET: UMA BIOGRAFIA
Record
784 páginas

É o relato definitivo da vida marginal- dos internatos à deportação, passando pelas cadeias - de um dos mais polêmicos escritores franceses do século XX. Edmund White apresenta uma biografia meticulosa, fruto de um trabalho de sete anos de pesquisa, onde apresenta o trabalho de Genet de uma forma concisa e sem preconceitos. Genet foi amigo das principais mentes de seu tempo: o filósofos Sartre, Derrida e Foucault; os escritores Cocteau e Jouhandeau, Juan Goytisolo e Moravia; os compositores Stravisnky e Boulez; o diretor de teatro Roger Blin; os pintores Leonor Fini e Christian Bérad, o escultor Giacommetti; os líderes políticos Pompidou e Mitterand, diz White. Ladrão, prostituído, prisioneiro, mendigo, bastardo, Jean Genet é um dos monstros sagrados da literatura francesa. Apenas um punhado de escritores do século XX, como Kafka e Proust, tem uma voz e um estilo tão importantes, tão autorizados, tão irrevogáveis, escreveu Susan Sontag no lançamento de romances do autor nos Estados Unidos, em 1963. Genet passou a juventude em reformatórios e prisões onde afirmou sua homossexualidade. Enquanto compunha romances ou peças consagradas como O balcão, Os negros e Os biombos criou uma chocante mitologia pessoal marcada por escândalos, roubos e rixas. Colecionou uma sucessão de amantes que o acompanharam pelo bas fond parisiense e conquistou o grand monde intelectual europeu. Seus primeiros trabalhos - Nossa Senhora das Flores e O milagre da Rosa, chamaram a atenção de Jean Cocteau, mas foi através da influência de Jean Paul Sartre que ficou famoso. Depois do suicídio de um de seus amantes, do amigo e tradutor Bernard Frechtman e de uma tentativa de suicídio, Genet atravessou a década de 1960 colhendo frutos de sucesso de seus romances, peças e roteiros. Mas a partir dos anos 70 até a sua morte em 1986, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes na França, assumiu a causa dos palestinos e envolveu-se com líderes de movimentos norte-americanos como Panteras Negras e beatnicks. Eu não tenho leitores, e sim milhares de voyeurs que me espiam de uma janela que dá para o palco da minha vida pessoal, declarou certa vez o escritor. A obra e a vida de Genet cobrem um vasto território intelectual, social e político que ressurge nesta biografia de Edmund White não só como recuperação de uma trajetória ímpar, mas como um painel de movimentos culturais do século XX. GENET faz parte da Coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, seus aspectos históricos, políticos, literários e antropológicos.

Uma biografia inteligente e encantadora, sem preconceitos. London Review of Books

Uma contribuição ímpar para a compreensão da obra de Genet, de seu idiossincrático sistema ético e singular experiência de vida (...) Memorável. San Francisco Review of Books.


e mais a Biografia

Marcel Proust - Serie Breves Biografias
Objetiva
Abrindo a série - breves biografias, Marcel Proust de White é um grande exemplar da biografia em sua forma curta, que ilumina tanto o personagem quanto sua época de forma economica e loquaz, olhando escritor com a admiração pela sua obra e sua condição homossexual pouco discutida.


Toda a sua Obra

• Forgetting Elena
• The Joy of Gay Sex
• Nocturnes for the King of Naples
• States of Desire: Travels in Gay America
• A Boy's Own Story
• The Beautiful Room is Empty
• Caracole
• The Darker Proof: Stories from a Crisis
• The Faber Book of Gay Short Fiction
• Genet: A Biography
• The Burning Library
• Our Paris: Sketches from Memory
• Skinned Alive
• The Farewell Symphony
• Marcel Proust
• The Married Man
• Loss Within Loss: Artists in the Age of AIDS
• The Flâneur
• Fanny, A Fiction
• Arts and Letters
• My Lives
• Chaos
• Hotel de Dream


CLAUDIA WONDER CONVIDA